Crítica: Mogli - Entre Dois Mundos (2018, de Andy Serkis)



Chega à Netflix a mais nova adaptação da história do menino lobo que ficou famoso nos anos 60 e arrebatou o coração de tantas crianças com sua amizade improvável com um urso preguiçoso e uma pantera preocupada. Entretanto, a animação do renomado ator e, agora diretor, Andy Serkis (responsável por dar vida a tantos personagens icônicos de CGI), será muito mais fiel à obra de Rudyard Kipling do que à inesquecível animação da Disney.

É importante que se faça um esforço, mesmo que imenso, de não comparar essa obra com a animação de 67 e nem de compará-la com a adaptação de 2016. A história atual possui um lado muito mais sombrio e cru do que as outras duas e dessa forma traz uma nova abordagem sobre a vida de Mogli (Rohan Chand) e seu sentimento de não pertencimento a nenhum dos mundos em que está inserido: seja na selva; seja no mundo dos humanos.




Mogli possui um passado triste, marcado pela arrogância de Shere Khan (Benedict Cumberbatch), o tigre que odeia humanos e faz de tudo para demonstrar todo esse ódio. Assim, desde criança passa a ser criado pela alcateia de Nisha (Naomie Harris) e Vihaan (Eddie Marsan), um pouco a contragosto do chefe Akela (Peter Mullan) no início, mas que passa pelo crivo dos demais componentes da comunidade da selva, incluindo a pantera Bagheera (Christian Bale) e o urso Baloo (Andy Serkis).


Estes últimos vão auxiliar Mogli em seu desenvolvimento, como mentores, para se tornar um membro permanente da selva, porém sempre se questionam se é o certo manter o humano ali, uma vez que sabem que por mais que ele tente, nunca será como um lobo de verdade. E assim, com o decorrer dos acontecimentos, Mogli se vê forçado a entrar em contato com a civilização que rodeia a selva.

Neste momento, Mogli, que até então não possuía o protagonismo de sua própria história, assume este papel mais central e se vê ainda mais dividido entre os dois mundos dos quais faz parte, uma vez que passa a ver, da forma mais dolorosa possível, o lado negro e perverso do ser humano.


Esta versão não parece encontrar um público alvo muito específico: é pesada demais para o público infantil e não muito familiar para o público adulto, mesmo para aqueles que acompanharam as outras adaptações e se mantém com a mente mais aberta para essa história; e apesar do enredo bem construído aliado à mensagem final, que parece ser mais pacífica do que o restante do filme, o fato deste ser muito mais sombrio e pesado pode assustar a maioria dos espectadores.

É um fato que muitos também se perguntarão a real necessidade desse live-action, uma vez que um mais recente e com uma qualidade gráfica inquestionável foi lançado há menos de dois anos. Talvez um motivo seja o aniversário de 50 anos que a fábula faz neste ano, porém a obra não possui um objetivo muito claro quanto ao seu público alvo e a qualidade do CGI não é das melhores, com animais que não se aproximam bem do real (especialmente Shere Khan e a cobra Kaa - Cate Blanchett -), mesmo sendo claro um esforço grandioso para que o resultado como um todo seja, pelo menos, satisfatório (o que percebe-se pelo impacto causado pelas cicatrizes e ar mais pesado que a maioria dos animais carrega).


De toda forma, o conjunto final acaba agradando, pois mesmo com a seriedade e o conteúdo mais pesado, a mensagem é passada de forma interessante. Os personagens também não deixam a desejar, o que se deve principalmente pelo talentoso elenco, e vale um destaque maior para Rohan Chand, que interpreta Mogli de forma competente. Como entretenimento pode agradar, mas como reflexão vale um pouco mais. 


Título Original: Mowgli: Legend of the Jungle

Direção: Andy Serkis

Elenco: Rohan Chand, Christian Bale, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Naomie Harris, Andy Serkis, Peter Mullan, Jack Reynor, Eddir Marsan, Tom Hollander, Matthew Rhys, Freida Pinto, Keveshan Pillay, Louis Ashbourne Serkis.

Sinopse: Criado por uma alcateia em meio às florestas da Índia, Mogli (Rohan Chand) vive com os animais da selva e conta com a amizade do urso Baloo (Andy Serkis) e da pantera Bagheera (Christian Bale). Ele é aceito por todos os animais, exceto pelo temido tigre Shere Khan (Benedict Cumberbach). Quando Mogli se defronta com suas origens humanas, perigos maiores do que a rixa com Shere Khan podem surgir.

Trailer:

O que achou desta nova adaptação deste clássico imortal? Conte-nos e não se esqueça de nos seguir nas redes sociais (:

Eduarda Souza

Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário