Crítica: A Rota Selvagem (2018, de Andrew Haigh)


FILME VISTO NO
Retornando aos cinemas após o elogiado 45 anos, que consagrou a atriz Charlotte Rampling sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Andrew Haigh traz novamente às telonas uma história rodeada de puro sentimentalismo em seu mais novo filme, A Rota Selvagem, que esteve presente no Festival do Rio, realizado neste mês de novembro.


Em A Rota Selvagem, acompanhamos o jovem Charley (Charlie Plummer) em sua pacata vida. Morando somente com o seu pai (Travis Fimmel) em Portland, Oregon, o adolescente de 15 anos decide ajudar financeiramente em casa e logo arruma um emprego auxiliando Del (Steve Buscemi) com os seus cavalos, os treinando para competições. No meio dessa aventura, Charley começa a criar laços afetivos com um dos cavalos, Lean On Pete (nome original do filme), mas essa relação passa a ser ameaçada logo que o animal não consegue mais se estabelecer nesse mundo esportivo, ao mesmo tempo que o jovem tenta encontrar incessantemente o paradeiro de sua distante tia.

É envolta dessa amizade que o diretor Andrew Haigh tenta demonstrar em sua história, no melhor estilo road movie, a desértica busca da maturidade  de Charley em sua vida com a miserabilidade de Lean On Pete, passando por altos e baixos, mais adversidades do que sucessos. Todo jovem busca algum dia sua independência, um ciclo da vida bastante perturbador e sofrido diante de descobertas e austeridades impostas. Aqui o apelo dramático é mais diversificado, temos uma verdadeira conjuntura de fatos demonstrando a pasteurização que o mundo pode nos oferecer totalmente nu e cru como ele é. Mas remando contra a maré, nosso protagonista é interrompido na caminhada atrás de sua tia, um ponto sólido que demostra a saída que o rapaz almeja para apaziguar a sua áurea, traçando um destino menos assombrado dessa veredas tristes em que se encontra.


Toda essa conectividade realça o auto-descobrimento do ser humano, buscando uma nova guinada na vida. Plummer absorve bem o que Charley tenta demonstra nesta vivência de andarilho. Somos introduzidos profundamente nas angústias que corroem o personagem. A não maternidade desde cedo faz com o que os laços afetivos floresçam em busca de uma nova perspectiva, uma luz no fim do túnel. Ao mesmo, sua parceria com Lean On Pete foge das reais expectativas que o roteiro havia delineado, foge do real sentimentalismo da amizade e serve como escapatória para um mundo menos solitário.


Charlie Plummer (Todo o Dinheiro Do Mundo) traduz de forma simples essa emoção. Com poucos diálogos, as suas feições demarcam as nuances tristonhas que o protagonista precisa para convencer o público e criar laços de empatia ao filme. No todo, Plummer desenvolve bem a personalidade de seu personagem, contudo as mais de duas horas de filme deixam arrastado e cansativo. A aventura, em uma parte, se torna infortúnio demais encarecendo a obra, entretanto os arcos conseguem corresponder bem a finalidade que o roteiro salienta na desestruturada narrativa. 


Steve Buscemi (Gente Grande), é o contraponto do personagem de Plummer, necessário para estabelecer as verdadeiras facetas com seus aconselhamentos, em sua demasia esdrúxulos, que dão carga para o emocional estado de espírito de Charley. A figura da joqueta Bonnie, personagem de Chloë Sevigny (Bloodline), é a forma em que o jovem encontra preencher o lado materno momentâneo ou até mesmo de uma irmã mais velha e confidente nos rescaldos que enfrenta.

Apesar da falibilidade em sua duração, A Rota Selvagem deixa em questão essa fuga de independência em que muitos jovens tentam consolidar e estabelecer um compromisso único de responsabilidade almejando melhorar o êxito de suas condições, transcendendo o companheirismo, mesmo que superficial, entre o homem e o animal, e busca abrir o horizonte de por mais que muros sejam erguidos, sempre haverá uma escapatória. 


Título Original: Lean On Pete

Direção: Andrew Haigh

Elenco: Charlie Plummer, Travis Fimmel, Steve Buscemi, Chloë Sevigny, Steve Zahn, Justin Rain, Lewis Pullman e Alison Elliott

Sinopse: Charley (Charlie Plummer) é um menino de 15 anos que vive com o pai solteiro em Portland, Oregon. Na procura pela tia desaparecida há muitos anos, Charley consegue um emprego de verão como treinador de cavalos e acaba fazendo amizade com um cavalo de corrida chamado Lean on Pete.

Trailer:

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Fagner Ferreira

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