Crítica: As Viúvas (2018, de Steve McQueen)



Um dos filmes mais aguardados do ano chega aos cinemas em grande estilo. A história, que passa pelo drama, alterna pequenas doses de humor (incluindo humor negro) e conta com cenas de ação de nos prender na cadeira, é um grande acerto comercial de Steve McQueen, conhecido principalmente pelos trabalhos em 12 anos de escravidão e Shame.

Com um teor bem diferente de seus outros trabalhos, o longa contará a história de quatro mulheres que repentinamente perdem seus maridos em um assalto mal sucedido. Após esse acontecimento, a viúva do líder da gangue (Harry Rawlings, interpretado pelo experiente de filmes de ação, Liam Neeson), Veronica Rawlings (da sempre excelente Viola Davis), convoca as outras viúvas para juntas executarem o plano que ficou em aberto e saldarem as dívidas herdadas junto aos irmãos Manning (Brian Tyree Henry - Jamal - e Daniel Kuluuya - Jatemme -), sendo que o mais velho está concorrendo às eleições para vereador do distrito de Chicago.


Jamal Manning é o oponente nas eleições distritais de Jack Mulligan (Collin Farrell), herdeiro do então vereador Tom Mulligan (Robert Duvall). A família Mulligan fez da política um negócio, dessa forma é imprescindível que Jack chegue ao poder para perpetuar a presença da família no meio político.


Assim, com algumas outras sub-tramas se desenvolvendo simultaneamente, o longa, que conta com um elenco de peso, mesmo com alguns nomes absurdamente mal aproveitados, como é o caso de Jon Bernthal e Carrie Coon, vai nos trazer não somente um filme de ação com cenas à altura (explosões, tiros, perseguições) mas ainda dramas psicológicos, críticas sociais ácidas e um protagonismo feminino bem desenvolvido.

Há um destaque maior, obviamente, para a personagem de Viola Davis, com aquela amargura estampada na face, aliada à necessidade de se manter forte e se superar. Não que a atuação de Viola não seja intensa e digna de reconhecimento, mas vamos concordar que nada mais é do que sua zona de conforto, uma vez que personagens semelhantes já foram desenvolvidos por ela, como em How To Get Away With MurdererEsquadrão Suicida, Um Limite Entre Nós, dentre outros.


Outro destaque fica a cargo de Daniel Kuluuya (Black Mirror, Corra!), com sua imponente e enigmática presença nas cenas em que aparece, sendo necessários poucos diálogos para se firmar e ainda para Brian Tyree Henry (Atlanta) que em todas as suas cenas merece destaque, principalmente naquelas em que contracena com Viola e Colin Farrell.


Contudo, como dito anteriormente, o pomposo elenco não é totalmente bem aproveitado, e muitos personagens tem desenvolvimentos rasos e soluções fáceis ou não muito convincentes, como é o caso de Linda (Michelle Rodriguez), uma das viúvas que poderia ter um potencial narrativo muito bem explorado, mas não o teve. Alice, personagem de Elizabeth Debicki, uma das outras viúvas, talvez tenha tido um melhor desenvolvimento e crescimento em seu personagem, o que pode contar mais um acerto para o longa.

O roteiro é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores acertos, co-escrito por McQueen e Gillian Flynn (Sharp Objects e Garota Exemplar) e na mão de atores experientes como Robert Duvall, por exemplo, que mesmo com poucas falas ganha uma notoriedade fantástica. Aliado à fotografia bem trabalhada e em alguns momentos, como nos flashbacks, até poética, há grandes chances que o longa figure em algumas indicações das principais premiações no cinema.


Ao fim, mesmo com a sensação de que o filme tentou abraçar muitos temas numa bocada só e talvez tenha deixado a desejar em alguns pontos, há de se concordar que é uma excelente pedida, que não só entretê, como também leva à reflexão de alguns temas e ainda possui qualidades técnicas inquestionáveis.


Título Original: Widows

Direção: Steve McQueen

Elenco: Viola Davis, Liam Neeson, Elizabeth Debicki, Michelle Rodriguez, Cynthia Erivo, Carrie Coon, Brian Tyree Henry, Daniel Kuluuya, Colin Farrell, Robert Duvall, Jon Bernthal, Molly Kunz, Michael Harney, Manuel Garcia-Rulfo, Jacki Weaver, Jon Michael Hill, Lukas Haas, Garret Dillahunt.

Sinopse: A história de quatro mulheres sem nada em comum, exceto uma dívida deixada pelas atividades criminosas de seus maridos mortos. Situada na contemporânea Chicago, em meio a um tumulto, as tensões aumentam quando Veronica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki), Linda (Michelle Rodriguez) e Belle (Cynthia Erivo) assumem o destino em suas próprias mãos e conspiram para forjar um futuro em seus próprios termos.

Trailer:

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Eduarda Souza

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