Crítica: Crô em Família (2018, de Cininha de Paula)



O universo das novelas – mesmo sendo riquíssimo e extremamente popular – é pouco explorado na filmografia brasileira. Quebrando essas barreiras, em 2013, chegava aos cinemas o primeiro filme estrelado por Crodoaldo Valério, um personagem oriundo da novela Fina Estampa. Crô – O Filme chegou a fazer um milhão de espectadores, mas não foi um grande estouro de bilheteria nem um sucesso de crítica. Pelo contrário. O filme de Bruno Barreto (renomado diretor de Dona Flor e Seus Dois Maridos) foi mal recebido ao tentar fazer graça com um tema muito sério: a exploração do trabalho braçal de imigrantes ilegais. Uma comédia extremamente sofrível.



Agora, cinco anos após sua estreia nos cinemas, o personagem está de volta! Crô em Família é uma continuação que ninguém queria. E sejamos francos: os tempos são outros. Se antigamente a comunidade LGBT se contentava em ser representada por figuras estereotipadas como as de Crodoaldo, hoje em dia, ela está muito mais exigente. Sim, o personagem de Marcelo Serrado é carismático e cômico, mas ele também é um belo exemplo de como o gay costumava ser retratado na dramaturgia brasileira: estereotipado, afetado e sempre usado como alívio cômico. Não leve a mal: Crô em Família é um filme cheio de boas intenções, mas, hoje em dia, as minorias gritam por uma representatividade que não as faça de chacota. Algo que Crô não pode oferecer.


De qualquer maneira, a concepção do filme é sofrível. Na trama, Crodoaldo acolhe um grupo de estranhos que se dizem seus parentes, mas, na verdade, os trambiqueiros que querem matá-lo e roubar seu dinheiro. Nada muito original. Agnaldo Silva – autor da novela e roteirista do filme – exorciza todos os personagens de Fina Estampa. Não há referências à novela. Não há referências ao primeiro filme. Crô em Família é um episódio ruim de um sitcom qualquer. É tudo muito genérico e superficial: o roteiro é ruim, as piadas são sem graça, os personagens são supérfluos e vivem repetindo gírias gays que aparecem totalmente forçadas na tela.



O filme, de fato, acolhe a comunidade gay e seus simpatizantes: David Brazil, Pabllo Vittar, Jojô Toddynho, Preta Gil e Isabelita dos Patins são algumas das celebridades que fazem pontas na trama. E todas muito mal aproveitadas, diga-se de passagem. O show de Pabllo Vittar, por exemplo, é uma cena totalmente descartável e criada com o simples intuito de incluir a cantora na trama. Até a participação de Ferdinando – personagem do humorístico Vai que Cola – é um crossover que poderia ter sido (muito) melhor aproveitado. A mensagem final do filme é boa, mas muito mal trabalhada: não emociona e nem faz rir. O que só reafirma aquilo que Crô em Família realmente é: uma comédia descartável e totalmente genérica.


Título Original: Crô em Família

Direção: Cininha de Paula

Elenco: Marcelo Serrado, Arlete Salles, Fabiana Karla, Pabllo Vittar.

Sinopse: Crodoalvo Valério, ou simplesmente Crô (Marcelo Serrado), é agora dono de uma badalada escola de etiqueta e finesse. Entretanto, apesar de toda a fama ele se sente bastante carente e vulnerável, por não ter amigos nem uma nova musa a quem dedicar a vida. É quando sua vida cruza com as de Orlando (Tonico Pereira) e Marinalva (Arlete Salles), que dizem ser seus parentes distantes. 

Trailer:

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Marçal Vianna

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