Crítica: A Cabeça de Gumercindo Saraiva (2018, de Tabajara Ruas)



Para quem não tem tanta familiaridade com o cinema nacional, Tabajara Ruas, diretor de A Cabeça de Gumercindo Saraiva é também escritor, e não de forma surpreendente, escreveu a reportagem de mesmo nome em 1997. Vale salientar, inclusive, que ele tem mais títulos como escritor que como diretor. Entre suas obras para o cinema, estão: Netto perde sua alma (2011), Brizola Tempos de Luta (2007), Netto e o Domador de Cavalos (2008) e Os Senhores da Guerra (2016).

Neste novo longa, a história retratada se passa em 1895, durante a Revolução Federalista, e narra o momento em que Gumercindo Saraiva, após morto, tem sua cabeça decepada pelo chefe republicano Firmino de Paula para ser entregue ao então governador, Júlio de Castilhos. O responsável por levar esta cabeça decepada é o Major Ramiro de Oliveira (Murilo Rosa), acompanhado de dois ajudantes.

Desde os momentos iniciais, conseguimos perceber o esmero pela fotografia desta produção e não há como não pensar: Como o Brasil é lindo! O filme foi filmado no sul do país, com locações em lugares históricos como Canela e as ruínas de São Miguel.


Além de Murilo Rosa, completam o elenco Leonardo Machado como Capitão Francisco Saraiva, filho mais velho do maragato Gumercindo Saraiva e que lidera a busca pela cabeça do pai, acompanhado de Sirman Antunes como Caminito, Allan Souza Lima como Teófilo e Marcos Pitombo como Rosário. 

A atuação de Murilo Rosa lembra a de muitos outros papeis dele, o que faz com que demoremos a comprar o enredo de filme de época. Ele tem um jeito bastante singular de olhar, se posicionar diante da câmera e falar, o que remete a outros trabalhos. Entretanto, as surpresas ficam para os coadjuvantes. Leonardo Machado realmente entrega uma atuação bastante singular e nos passa verdade na busca da cabeça pelo seu falecido pai, cometendo, inclusive, uma atrocidade em determinado momento, motivado pelo ódio em relação a morte dele.

Mas, a verdadeira surpresa na atuação, fica por conta da atuação de Rogério Beretta (Netto e O Domador de Cavalos) como Marechal Isidoro. Sua atuação é rápida no filme, mas marcante o suficiente para te deixar incomodado no momento em que aparece, e lembrar dela até o final do filme. Fica por conta dele dar a verdadeira mensagem do que representa uma guerra e até onde podemos chegar com ela. No momento em que aparece, ele está degolando e fuzilando alguns soldados traidores por estar em um mal momento.

O que mais chama atenção nesta atuação é seu olhar completamente vazio ao falar e cometer qualquer que seja o ato, demonstrando que a guerra levou não só a alma daqueles que estão mortos, mas a sua também, ainda que em vida.


Por fim, o filme, entre muitas mortes, nos deixa uma mensagem triste, porém bastante real do que representa uma guerra, qualquer que seja ela. Quem derrama o sangue, está muitas vezes motivado por um ódio que nem sabe se de verdade o sente, e quem controla estas mentes odiosas, muitas vezes não quer expor quanto sangue derramou para não alarmar uma situação tão aterrorizante. Isso fica bastante claro em um dos diálogos finais de Júlio de Castilhos, numa recusa sábia e ao mesmo tempo amedrontada da encomenda que recebera.

Um bom filme para conhecer um pouco mais da nossa história e do que aprendemos no curso da vida enquanto cumprimos nossas missões.



Título Original: A Cabeça de Gumercindo Saraiva

Diretor: Tabajara Ruas

Elenco: Murilo Rosa, Leonardo Machado, Marcos Verza, Sirmar Antunes, Allan Souza Lima, José Vitor Castiel, Marcos Breda, Marcos Pitombo, Rogério Beretta e Zé Adão Barbosa.

Sinopse: Em 1895, no final da Revolução Federalista, o capitão rebelde Francisco Saraiva e cinco cavaleiros cruzam o Sul do Brasil numa exasperante caçada para resgatar a cabeça de Gumercindo Saraiva, cortada pelos legalistas e levada à capital pelo major Ramiro de Oliveira e dois ajudantes. O longa narra os episódios de aproximação e afastamento entre perseguidores e perseguidos, os confrontos e desafios, os duelos de vontades que foram acontecendo nos dois lados até o encontro final. No desfecho, as lições aprendidas na jornada afloram, e Ramiro e Francisco, curtidos pelos acontecimentos, buscam uma saída honrosa para ambos.


Trailer:
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João França

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