Crítica: O Paciente - O Caso Tancredo Neves (2018, de Sergio Rezende)


É meio que consenso popular que a morte de Tancredo Neves foi um golpe brutal para um povo que estava prestes a sair de um extenso período de ditadura militar e voltar para a democracia, mesmo que não fosse exatamente o modelo que hoje temos. Muitos afirmam, categoricamente, que o presidente que nunca foi empossado teve seu fatal destino encomendado por militares e, como vários mistérios envolveram sua morte, as dúvidas são gigantescas.

O Paciente - O Caso Tancredo Neves vem para tentar por fim a estas dúvidas, sendo sua capciosa estreia em pleno período eleitoral. Mais como uma aula de medicina e até mesmo de história, o filme possui roteiro fluido e apesar de causar um certo cansaço a quem assiste, consegue entregar um conteúdo importante para o cinema nacional, mesmo que a geração mais atual talvez não consiga compreender, com o mesmo referenciamento, o quão importantes foram os acontecimentos explorados na película.


O início do filme é totalmente feito por takes reais da época conturbada que o país estava enfrentando (assim como alguns momentos do restante do filme), mostrando logo de cara, a seriedade com que se pretende tratar o assunto que é tão polêmico e ao mesmo tempo tão aguçador da curiosidade maioria das pessoas que viveu o período. Claramente, há uma influência política que tende a representar, santificadamente, os personagens em questão, principalmente Aécio Neves, como um bom moço e dedicado neto. Tancredo foi uma figura com muita notoriedade popular, entretanto seu discurso de salvador da pátria, nos bastidores de toda a situação que lhe ocorreu, parece mais um discurso político do que de fato um anseio que possivelmente carregava.

Othon Bastos é o responsável por nos trazer à memória ou ainda para ilustrar a persona de Tancredo Neves e o faz muito bem, na medida que o roteiro o permite. Quem tem um destaque importante é Esther Góes na pele de Risoleta Neves, que vem a brilhar mais a partir do segundo ato em diante. Há uma estranha tentativa, no entanto, de demonizar o médico Pinotti, personagem de Paulo Betti, que pode ser, de fato, o grande culpado pelo ocorrido a Trancredo Neves, uma vez que o filme é baseado inteiramente na obra homônima do médico Luís Mir. O que incomoda, entretanto, é que essa 'demonização' parece um tanto quanto, forçada demais.



A jornalista Luisa, personagem de Priscila Steinman, é uma presença gratuita e dispensável, ainda mais na cena de seu choro após a confirmação da morte de Tancredo por meio de Antônio Brito, personagem de Emilio Dantas. Este último, cumpre bem seu papel, mas não acrescenta nada de muito memorável à trama.


Este anúncio da morte, sucedido por takes reais da comoção do país, face à morte do presidente nunca empossado, acaba por ser o momento realmente emocionante do filme; com a música Coração de Estudante, de Milton Nascimento, ao fundo, provocando, pelo menos, um sentimento de empatia.

Em suma, um trabalho bem feito de direção e elenco e mesmo que o roteiro por vezes seja técnico demais para os mais leigos acerca do assunto medicina, é possível entender como tudo aconteceu. A fotografia e direção de arte também contribuem para uma boa ambientação da época. Um filme para auxiliar na compreensão de nossa história, mas que não deve servir, de forma alguma, para influenciar o atual cenário político.



Título Original: O Paciente - O Caso Tancredo Neves

Direção: Sergio Rezende

Elenco: Othon Bastos, Esther Góes, Paulo Betti, Emilio Dantas, Otávio Muller, Leonardo Medeiros, Lucas Drummond, Luciana Braga, Mário Hermeto, Priscila Steinman, Emiliano Queiroz, Eucir de Souza, Leonardo Franco.

Sinopse: Os últimos dias da vida de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil, eleito pelo colégio eleitoral no Congresso Nacional, depois da ditadura militar. Toda a expectativa da população brasileira e a doença de Tancredo, que depois de 39 dias de internação, morreu no dia 21 de abril de 1985, nunca sendo empossado.


Trailer:

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Eduarda Souza

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