Crítica: O Homem que Parou o Tempo (2018, de Hilnando SM)



Um título interessante. Uma sinopse mais ainda. Um trailer instigante. Bom, essas seriam premissas que me comprariam de imediato, e de fato, me compraram. O tema tempo, em todas as suas nuances, me desperta profundo interesse, seja em qual obra for. Infelizmente, nesse caso, a experiência foi danosa e completamente descartável. 

O Homem que Parou o Tempo tem direção, produção e roteiro do estreante Hilnando SM, que acerta a mão ao retratar a zona sul do Rio de Janeiro de forma triste e sem vida, bem diferente daquilo que estamos acostumados: sol, luz quente e belezas naturais. Aqui, ele enfatiza bastante uma gigantesca estrutura de metal, que possivelmente servirá como escoramento para alguma grande obra, dando um tom ainda mais pesado à ambientação.



Se ficássemos somente nestes pontos, o filme seria uma boa experiência. Porém, não é somente disso que um filme é feito. Arrastado demais em alguns momentos, parecendo mais um curta que almejou ser longa e conseguiu, mal mal, ser média-metragem. O roteiro, entretanto, é o ponto que mais incomoda; que mais entristece.

Ao ler a sinopse, você logo vai imaginar que haverá um desenvolvimento, no mínimo, satisfatório, para te ambientar em toda a história que é proposta. Mas não há. Tudo é muito raso, muito mal explorado, extremamente superficial. É quase um insulto à inteligência do espectador ver que tudo não passa de falácias clichês de filmes do gênero, que não parte de ponto algum e não chega em nenhum lugar. O pior é ver os recortes na parede e, pra um olhar mais atento, perceber que aquilo não passa de cálculos e representações desconexos entre si, que só servem para trazer um quê mais científico a tudo.


O personagem João (Gabriel Pardal), um programador que acha o seu emprego o mais chato do mundo, não é bem delineado. Não conseguimos entender ao certo o que ele enfrenta, e o que parece ser "uma execução de seu mirabolante plano de parar o tempo" é mais o retrato de um estado depressivo. Se o filme fosse abordar esta temática, faria muito mais sentido e teria muito mais relevância. Se vender como uma ficção científica é de um erro tão grotesco, que me incomoda profundamente.

A interação de João com os demais personagens também é algo muito mal explorado e só salva num raro momento quando está conversando com Mai (da talentosa Camila Márdila). O problema, contudo, é que seu discurso não condiz em nada com suas ações e fica muito difícil ter qualquer empatia ou identificação com sua situação.


Outra rara boa surpresa é a lindíssima música A Mutante, de Mariano Marovatto. Tendo a parte instrumental como componente da trilha sonora, a música vem como um deleite para quem está sofrendo com a execução da película e, principalmente, com aquele irritante toque de celular que, no início imaginava ser algo importante para a construção da trama, mas só se mostrou como sendo mais um ponto negativo. O mesmo vale para a sequência do banho de mar nos pés de João: podia jurar que haveria ali uma conexão; um ponto de virada para fazer com a história fizesse algum sentido... Mas não! Até as garrafas vazias no apartamento minimalista e descuidado me levaram a crer que haveria um momento que, mesmo sendo à la Primer, daria algum direcionamento. Mais uma vez, engano meu!


Em linhas gerais, o filme é demasiadamente ambicioso, e não cumpre bem seu objetivo. É uma pena, pois o cinema nacional carece de filmes que abordem a temática, utilizando essa visão triste, porém igualmente bonita, do Rio ou de qualquer outra maravilhosa cidade e trazendo para nosso contexto o tema que é ao mesmo tempo tão rico e tão mal explorado.


Título Original: O Homem que Parou o Tempo 

Direção: Hilnando SM 

Elenco: Gabriel Pardal, Camila Márdila, Iuri Saraiva, Pedro Lamin, Rogério Freitas. 

Sinopse: Após dedicar anos de sua vida ao estudo de física quântica, relatividade e fenômenos atemporais, João (Gabriel Pardal) decide, finalmente, botar seu ousado plano em prática: conseguir parar o tempo. Mas para realizar os experimentos que precisa, ele terá que embarcar em uma solitária viagem sem volta, que o isolará de sua família e amigos, trazendo graves consequências a seu estado mental.

Trailer:




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Eduarda Souza

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