Crítica: A Freira (2018, de Corin Hardy)


James Wan conseguiu nos surpreender positivamente com Invocação Do Mal, em 2013. De lá pra cá, a franquia começou a dar as suas caras de que o terror podia voltar a ter uma crescente no mercado cinematográfico, que andava tão escasso. Com o sucesso de Annabelle, chega aos cinemas outro spin-off, A Freira, que tenta trazer a mesma fórmula de sucesso, desta vez, com o demônio Valak, e contar os primórdios de um dos personagens mais assustadores do cinema atual.

Após o suicídio de uma freira em uma abadia na Romênia, o Padre Burke (Demian Bichir) é convocado pelo Vaticano para investigar o terrível episódio e certificar-se de que o local ainda seja sagrado ao lado noviça Irene (Taissa Farmiga) após o franco-canadense, Frenchie (Jonas Bloquet), um jovem que trabalha levando mantimentos para o lugar, ter encontrado o corpo pendurado da feira morta. Mal sabem eles que algo mais misterioso estaria os aguardando envoltos de toda essa situação.


A grande expectativa pode ter sido derradeira. Vendido como o capítulo mais tenebroso da franquia, A Freira não deixa eficiente e mais transparente sua história confusa e cheia de arcos superficiais que poderiam ter uma atenção melhor e mais trabalhada. Mesmo com o roteiro inteligente de Gary Dauberman (It: A Coisa), com contribuição de James Wan, que cria toda uma atmosfera sombria e de enredo embalada pelo terror central, a direção de Corin Hardy (A Maldição Da Floresta) deixa muito a desejar pela desconstrução dos fatos apresentados. As desconexões dentro da trama são demasiadamente evidentes, com muitas pontas soltas. Afinal de contas, por que Irene foi a escolhida para acompanhar o Padre nesta missão? Por que ela detém essas visões em seus sonhos? Respostas que não obtivemos. 


Rodeados de todos os clichês possíveis que nivelam filmes deste gênero, a construção sombria da fotografia consegue dinamizar a trama, contextualiza muito bem os espaços, que deixa crível o ambiente para todo o suspense e as cenas com todos os seus jumpscares, mesmo que em sua maioria não assustem tanto, pelos problemas já mencionadas de direção. A essência da trama, porém, não deixa de abrilhantar o trabalho de Bonnie Aarons como Valak. A atriz entrega brilhantemente toda a simbologia do demônio na forma da freira amaldiçoada e a construção de sua própria história é perfeitamente compreendida, ao contrário de Taissa Farmiga, que mesmo exercendo bem o seu papel, não consegue ter uma desenvoltura transparente do seu arco.

Outro que deixa a desejar é Demian Bichir, que não consegue criar uma empatia em seu personagem e que sofre também com os problemas de direção. O que realmente funciona são os esporádicos diálogos de Frenchie (Jonas Bloquet), que introduzem um alívio cômico para toda a tensão apresentada e servem de ligação, mesmo espaçada, para o mundo de Invocação do Mal. Se formos raciocinar pela lógica, o entendimento do diretor é de um total desleixo com os personagens adicionais da trama, o que pode ter sido até proposital para dar mais destaque a Valak e narrar toda essa sua premissa do demônio.


A Freira não consegue entregar toda a expectativa que o rodeava, se torna uma mistificação do gênero e repete mais do mesmo de outros filmes. Comercialmente, funciona bem para o seu viés de conquista junto ao público e distribuir as ramificações desse universo criado por James Wan. Incrementar uma história para a personagem horripilante era necessário, de fato, funciona para a trama central, porém deixa um compasso desvairado da composição rasa dos outro personagens adicionados.


Título Original: The Nun

Direção: Corin Hardy

Elenco: Taissa Farmiga, Demian Bichir, Bonnie Aarons, Jonas Bloquet, Charlotte Hope e August Maturo

Sinopse: Presa em um convento na Romênia, uma freira comete suicídio. Para investigar o caso, o Vaticano envia um padre atormentado e uma noviça prestes a se tornar freira. Arriscando suas vidas, a fé e até suas almas, os dois descobrem um segredo profano e se confrontam com uma força do mal que toma a forma de uma freira demoníaca e transforma o convento num campo de batalha.
Trailer:


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Fagner Ferreira

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