Crítica: Meu Tio e o Joelho de Porco (2018, de Rafael Terpins)




Joelho de Porco foi uma banda paulista de rock dos anos 70, com grande contribuição para a cena musical daquela época, tendo lançado músicas como Maldito Fiapo de Manga (uma das mais conhecidas), Boeing 723897 (minha preferida), São Paulo By Day, México Lindo e tantas outras. Seguindo a vertente do rock irreverente, tendo sido quase que como uma fonte para bandas como Ultraje a Rigor, Mamonas Assassinas, Raimundos e tantas outras, a banda teve como líder, baixista e vocalista Tico Terpins, o homenageado neste documentário, que é produzido, roteirizado e dirigido por seu sobrinho, Rafael Terpins.




De atitude anarquista, o que na época era considerado algo que representava bem o movimento punk, mesmo que os componentes da banda não se julgassem exatamente como tal, o Joelho fez história como uma das primeiras bandas a lançar-se de modo independente na cena musical (muito ajudado pela boa condição financeira dos integrantes) e teve ainda várias idas e vindas. Desde a participação de Próspero Albanese, o 'ex-gordão', com sua potente voz, passando pela participação do argentino Billy Bond (com quem tiveram uma briga que deu fim à banda), sem falar da participação do ator Ricardo Petraglia e alguns outros. A trajetória pode ser acompanhada através de depoimentos saudosistas, de ex-membros, familiares e até do próprio Tico Terpins (em formato de uma desbocada animação, contribuição do diretor-animador).



A grande referência aos Beatles nas músicas da banda é algo notório, mesmo que acompanhando somente a trilha sonora do documentário. E que trilha!, diga-se de passagem. A maior parte, é claro, é composta por 'sucessos' do Joelho, que foram cuidadosamente inseridos para nos ambientar e transportar para a atmosfera onde toda a história aconteceu. Uma montagem praticamente impecável.

Os depoimentos por vezes nos arrancam gargalhadas e mesmo já sabendo da morte do grande homenageado, em nenhum momento ficamos tristes de fato. Talvez mais lá pelo final, quando Rafael assume a fala e deseja que tanto seu pai quanto seu tio tivessem cuidado melhor da saúde do coração.

Há um sentimento muito forte, inclusive, presente em todo o documentário, como uma forma de firmar ainda mais a memória de Tico Terpins, mas a tentativa de brincar com a memória do tio fazendo um teatrinho e até mesmo utilizando da animação para 'trazê-lo de volta à vida' pode não ter sido uma escolha acertada de Rafael Terpins. É interessante pelo ponto de vista pessoal do diretor, mas não agrega muito ao documentário em si.



Acima de tudo, o documentário acaba divertindo e provocando uma nostalgia imensa, principalmente para aqueles que viveram na época e conheceram a banda. Uma homenagem muito bonita e digna para o precursor de todo um movimento do rock no Brasil. Ficamos com a sensação de que deveríamos ter tido um pouco mais de Tico Terpins na história da música brasileira.


Título Original: Meu Tio e o Joelho de Porco

Direção: Rafael Terpins

Elenco (depoimentos): Rafael Terpins, Jack Terpins, Prospero Albanese, Jorge Pagura, Jane Guper, Rodolfo Ayres Braga, Dick Petra, Julio Calasso, Dino Vicente, Netinho, Adriana Kling, Ivo Barreto, Cida Moreira, Zé Rodrix, David Drew Zingg.  


Sinopse: O roteirista e diretor Rafael Terpins apresenta a trajetória de seu tio, Tico Terpins, em uma das bandas de rock mais conhecidas do Brasil entre os anos 1970 e 1980, o Joelho de Porco. Baixista e líder do grupo, Tico foi pioneiro ao lançar canções que satirizavam a política nacional e ainda ao ser uma das primeiras bandas a se lançar de forma independente no cenário musical. Constituído por animação, material de arquivo pessoal e televisivo, o documentário também conta com depoimentos de familiares e integrantes da banda, como o vocalista e baterista Próspero Albanese, Netinho e o produtor Julio Calasso.

Trailer:


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Eduarda Souza

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