Crítica: The Good Fight - 2ª Temporada (2018, de Jim Mckay e outros)



Focar no assunto política de um modo geral pode ser um terreno pantanoso e mesquinho; é necessário cuidado ao tratar de certos temas para que a história em si não seja algo ultrajante e desrespeitoso, ao mesmo tempo que é necessário falar sobre todas as feridas abertas e a indignação de uma nação. The Good Figth talvez seja a série mais bem elaborada na atualidade ao conseguir abordar de maneira elegante e tempestuosa todos os problemas da era Trump, não só em questões governamentais, mas também seu sombrio lado pessoal. Quer saber mais detalhes sobre a segunda temporada dessa série maravilhosa? Então vem com a gente!


A série não perdeu a essência da primeira temporada, mas, de uma maneira sútil e quase despercebida, conseguiu amadurecer e se aprofundar nas questões éticas do governo e como a lei se torna ambígua em alguns momentos. De certa forma, a lei não é mais sobre justiça, é somente sobre seguir à risca, não importando o impacto e as consequências nas vidas das pessoas envolvidas, exacerbando a causa, criando um conflito onde antes não existia, de fato, um problema. As questões levantadas são as mais abrangentes possíveis e todas muito bem direcionadas ao dia a dia do cidadão americano. Tais assuntos são abordados com extrema sensibilidade e necessidade de serem tratados, como por exemplo: o racismo, a extradição desenfreada de pessoas sem nacionalidade americana, gerando ódio para com esses imigrantes; a falta de privacidade, como a tecnologia está afetando nossos relacionamentos pessoais e profissionais e principalmente, como tudo ultimamente é tido como ameaça ou ameaçador dependendo do ponto de vista e do contexto imposto. A impressão que causa é que mesmo não estando errado, nós estamos errados aos olhos da lei.


A série não é somente sobre advogados resolvendo casos; todos os casos de alguma forma estão ligados às questões ditas anteriormente e suas causas ligadas ao governo. Diane Lockhart (Christine Baranski) continua sendo o pilar da trama. Após um ano difícil, onde ela tenta se mostrar forte no trabalho e em questões relacionadas à vida cotidiana, seu lado pessoal está em colapso, seu casamento está na corda bamba e ela se perde pouco a pouco, chegando a ter momentos de insensatez, afetando sua relação com as pessoas ao seu redor. Mas como era de se esperar, ela consegue colocar a cabeça em ordem e crescer novamente como pessoa e profissional, sendo capaz de lidar com questões muito sérias com agilidade e inteligência. E não faltam personagens que se encaixam nesse quesito. Maia Rindell (Rose Leslie) que também começou a temporada perdida no meio de acusações e correndo o risco de ser presa, acaba se encontrando na firma. Sua vergonha em meio ao escândalo agora é passado e ela se mostra muito competente naquilo que se presta a fazer. E claro, não podemos deixar de lado outro pilar da história, Lucca Quinn (Cush Jumbo), uma mulher jovem e negra que ocupa um cargo de respeito em uma empresa de advocacia. Lucca é a imagem da mulher moderna e precisa se firmar a todo momento como sendo capaz, como se fosse uma necessidade pessoal dela. Porém, acaba se envolvendo sem querer no meio político ao engravidar do promotor, Colin (Justin Bartha), que mostra intenção de ter um relacionamento com ela, porém, Lucca prefere se manter firme na sua carreira e seguir um caminho diferente do dele.


E para acrescentar ainda mais o poder feminino da série, temos mais duas personagens que cresceram exponencialmente esse ano. Marissa (Sarah Steele) se mostra muito capaz como investigadora e tem seus momentos cômicos na série, e Liz Lawrence (Audra McDonald), que caiu de paraquedas na empresa e se tornou uma das sócias. Jay Dispersia (Nyambi Nyambi) também faz um trabalho excelente como investigador e, após um começo mais fechado de seu personagem, aos poucos fomos conhecendo e aprendendo a gostar do seu jeito sério. Ele inclusive teve problemas por conta do governo, mas isso você verá ao assistir à série.


Voltando ao assunto dos problemas que os cidadãos enfrentam, não podia deixar de ter o controverso assunto de porte de armas. A temporada basicamente nadou nessa história, colocando descaradamente o assunto em pauta quando um surto de assassinatos de advogados começa a assolar Chicago. O tema era abordado livremente entre conversas ou ao fundo em uma notícia de TV, e o mais assustador é ver a reação das pessoas. Acredito que a alienação é algo muito perigoso e sempre será, e o pior é ver que a resposta para a violência é gerar mais violência. Está com medo? Comprem armas! Quer se proteger? Aprenda a atirar! Como se isso fosse resolver todos os problemas. A questão é: o armamento é algo tão enraizado que, de certa forma, a maioria não vê isso como um problema, mas sim como a solução. Sabe-se que no governo Obama, o presidente tentou de todas as formas dificultar as leis para compra de armas mas, como a maioria venceu, mais e mais vezes somos assolados com notícias de assassinatos em massa em escolas, shows e casas noturnas, nos deixando o grande questionamento: ATÉ QUANDO? Quantas pessoas mais vão precisar morrer ou perder alguém para que algumas coisas mudem de figura? Em todo o caso, esse é apenas um assunto do qual me aprofundei em meio a tantos outros que a série nos apresenta e nos faz pensar em quantos problemas poderiam ser evitados. Problemas que como eu disse antes, só são problemas em uma perspectiva, que geralmente é vista assim pela lei ou por pessoas tão fanáticas que levam suas convicções de certo e errado até à ultima instância, não pensando nas consequências.


Se vocês pararem para pensar, tudo que foi abordado na série é real. Tudo o que aconteceu com personagens fictícios, acontece todo dia com pessoas desconhecidas. Pessoas são deportadas para suas casas onde, geralmente é um lugar perigoso. Pessoas são mortas no meio do dia pela simples questão de ódio. A alienação é sim perigosa e prejudicial à uma sociedade, assim como o senso comum de que as coisas vão mudar por si só. Elas não vão. Todas as notícias mostradas na série são reais e tiradas de jornais, entrevistas, internet e até do Twitter pessoal do presidente Trump. Tudo na série tem um porquê e até mesmo a abertura tem suas nuances, mostrando uma calmaria aparentemente pacífica, e então tudo começa a explodir, como se estivesse escondido em meio a esse cenário tranquilo. Se isso não te faz pensar na relação de tudo que eu disse até agora, assista à série de novo.


De alguma forma, eles estão tentando mostrar o absurdo que está acontecendo. A série trabalhou com o medo, com a resignação e com a superação esse ano. E é por isso que ela tem meu respeito. Os personagens aprenderam a lutar em meio ao caos e isso é algo que todos nós deveríamos aprender um dia.


Título Original: The Good Fight


Direção: Jim Mckay, Broke Kennedy, Ron Underwood, Allan Arkush, Marta Cunnigham, So Yong Kim

Elenco: Christine Baranski, Delroy Lindo, Rose Leslie, Cush Jumbo, Gary Cole, Audra McDonald, Sarah Steele, Nyambi Nyambi, Justin Bartha 

Sinopse: Um golpe econômico joga o nome de uma jovem advogada na lama e acaba com as economias de Diane Lockhart, sua mentora. Depois de serem mandadas para o olho da rua, as duas entram para uma das firmas mais promissoras de Chicago, onde irão trabalhar ao lado de Lucas Quinn.

Trailer:
 
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Natália Vieira

Gosto de filmes e sou viciada em séries e música boa. Não tem muito o que dizer depois disso.

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