Crítica: Lino - O Filme (2017, de Rafael Ribas)


Há um bom tempo, o mercado cinematográfico brasileiro é algo que vem crescendo, e apesar de hoje em dia viver em uma ditadura de gênero (comédia), surpreende até mesmo o cinéfilo mais pessimista. Felizmente, não é isso que se encontra no mercado de animações brasileiras, gênero que só tende a crescer, e, apesar da pouca atenção do público, vem se tornando a maior força cinematográfica nacional – basta observamos O Menino e o Mundo, primeiro longa de animação Latino indicado ao Oscar (e, felizmente brasileiro).

 Em 2009 tivemos o 1º longa 100% animado em CGI, sendo O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes, filme dirigido e produzido pelos mesmos responsáveis por Lino, sendo respectivamente Walbercy Ribas (que em Lino não dirige), Rafael Ribas (diretor de Lino), e a premiada produtora StartAnima.

Lino (Selton Mello) trabalha como animador de festas, mas não aguenta mais ter que suportar todos os maus tratos feitos pelas crianças, que zombam dele por trabalhar com uma ridícula fantasia de gato gigante. Determinado a mudar sua vida, ele contrata os serviços de um feiticeiro, mas, inesperadamente, a magia acaba sendo um tiro no pé e Lino se transforma justamente em um felino enorme.


Pela evidente qualidade de animação e mixagem de áudio, o seu público alvo são as crianças de 7 – 8 anos, podendo se expandir para um público de menor idade, maior e até mesmo adulto.

Além das características já citadas, é perceptível a maneira em que Rafael Ribas (diretor e roteirista) propõe o ritmo, sendo algo “exclusivo” para esse público. Cenas pequenas, piadas a cada final de cena, fios de enredo, discurso final e relação obra/mundo. Tudo estritamente voltando para a alegria de seu público alvo.


Como disse, o público alvo pode se expandir chegando até mesmo aos adultos, contudo deve ser destacada a palavra “pode”. Apesar de ser um filme super divertido para a criançada, para uma pessoa como eu, que passa longe do público alvo, o filme pode parecer besta, vergonhoso e até mesmo tedioso.

Chegando a observação de vários pequenos furos perceptíveis e graduais. Congelamento de ritmos, quebras de tons, falhas em montagem, animação, e até mesmo em linhas de roteiro, mesmo com esse último sendo simples, surge uma simplicidade extravagante, que em uma hora ou outra, escorrega. Porém...

Esses problemas e observações não são algo que atrapalham a imersão de seu público alvo, sendo algo que pode prejudicar no seu valor total de obra, mas não para o seu cliente específico. Ocasionando em que em certo momento do filme, deixei certas preocupações e observações de lado, chegando até o ponto em que estava me divertindo com a trama proposta ali.


Em questões de dublagem não tem o que se comentar, mesmo com a voz de Selton Mello (O Palhaço) claramente tratada para se encaixar no personagem, ele faz um ótimo trabalho. Sem falar da Dira Paes, Paolla Oliveira, Luiz Carlos de Moraes, Guilherme Lopes, Lupa Mabuze, Hélio Ribeiro e Leo Rabelo, que só adicionam qualidade a obra.

Sendo assim, Lino é uma obra engraçada, divertida e memorável para o seu público alvo, para os demais, principalmente para os mais velhos, pode chegar ao ponto de ser vergonhoso, mas basta parar de ser um chato, que até mesmo o cinéfilo mais infeliz pode rir. Por fim, faço um apelo aos pais, tios, irmãos mais velhos e cia, levem a criançada para ver essa animação totalmente nacional, dando assim não só uma oportunidade para esse mercado brasileiro – que só tende a melhorar –, como também para o seu pequeno. 


Direção: Rafael Ribas

Elenco: Selton Mello, Dira Paes, Paolla Oliveira, Luiz Carlos de Moraes, Guilherme Lopes, Lupa Mabuze, Hélio Ribeiro, Leo Rabelo.

Sinopse: Lino (Selton Mello) trabalha como animador de festas, mas não aguenta mais ter que suportar todos os maus tratos feitos pelas crianças, que zombam dele por trabalhar com uma ridícula fantasia de gato gigante. Determinado a mudar sua vida, ele contrata os serviços de um feiticeiro, mas, inesperadamente, a magia acaba sendo um tiro no pé e Lino se transforma justamente em um felino enorme.

Trailer:


Gostou da crítica? Tem expectativas para o filme? Diz pra gente :D

Vinícius Dellvale

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