Crítica Bingo - O Rei das Manhãs : Nostalgia e Atuações Incríveis fazem de Bingo o Filme Brasileiro do Ano!



Quando assisti ao primeiro trailler de Bingo, logo me senti nostálgica de minhas manhãs assistindo ao Bozo (palhaço original que foi baseado o filme) e com certeza marquei em minha lista que gostaria de conferir.

Convidei algumas pessoas para ir ao cinema comigo, mas muitas não me deram credibilidade pelo filme, e no final meu marido resolveu me acompanhar.

Na sala havia uma meia dúzia de pessoas, com mais ou menos a mesma idade que nós, e que provavelmente, foram assistir ao filme mais pelas lembranças de quando eram crianças do que pelo entusiasmo de assistir à um filme brasileiro.

Este preconceito que temos em assistir às nossas produções, vem do fato de que o que geralmente consumimos como cinema são as produções de comédias românticas ou pastelões do mesmo tipo Blockbuster que vemos na TV aberta. Mas o cinema nacional não é só isso. Quem não lembra de produções como: Cidade de Deus, Tropa de Elite e até mesmo O Contador de Histórias? Vale a pena assistir.


O filme conta a história de superação e declínio (sob licença poética) de Arlindo Barreto, que no filme chama-se Augusto Neves, interpretado por Vladimir Brichta. Vou tentar dar o mínimo de spoillers possíveis para incentivar à ida ao cinema.

Em meio à situações completamente surreais, mas que nos anos 80 seriam completamente possíveis, o competente diretor Daniel Rezende (montador de Cidade de Deus, Tropa de Elite, Ensaio sobre Cegueira, A Árvore da Vida, entre outros) conseguiu dar vida à muito mais do que uma cine-biografia, com toques de ficção em meio a realidade, observamos a história de um dos ícones infantis mais queridos dos anos 80.


A fotografia e ambientação nos transporta completamente para aquela década totalmente 'vidaloca', o longa conta com Easter Eggs saudosistas como brinquedos, objetos e músicas que nos faz sorrir. Podemos dizer que se fosse nos dias de hoje, o palhaço politicamente incorreto certamente teria problemas. 

Com comicidade e dramaticidade no timming correto, Vladmir Brichta, encarna tão completamente o personagem, que consegue nos entreter de forma carismática do início ao fim do filme, tanto como Augusto, como quanto Bingo. Observamos os olhos brilhantes do ator que não pode revelar quem está por de trás da máscara e cada conflito que teve, os dilemas familiares, pois quanto maior era a ascensão maior também era o envolvimento com álcool, drogas e também o distanciamento de sua família.


O elenco conta ainda com Leandra Leal como a produtora Lucia, Tainá Müller como Angelica (sua ex mulher), Augusto Madeira como o câmera Vasconcelos, Emanuelle Araújo como Gretchen, Cauã Martins como Gabriel, o filho e uma grande referência saudosista à Domingos Montagner, como tutor de aulas do palhaço

Um filme que sem dúvida merece destaque entre as produções atuais e é uma
pena não vermos grande parte dos brasileiros prestigiarem o cinema nacional.
Corra para o cinema e não esqueça de compartilhar o que achou desta produção.




Direção: Daniel Rezende

Elenco: Vladimir BrichtaLeandra LealEmanuelle Araújo, Cauã Martins, Ana Lúcia TorreTainá MüllerAugusto MadeiraPedro Bial  

Sinopse: Cinebiografia de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo no programa matinal homônimo da televisão brasileira durante a década de 1980. Barreto alcançou a fama graças ao personagem, apesar de jamais ser reconhecido pelas pessoas por sempre estar fantasiado. Esta frustração o levou a se envolver com drogas, chegando a utilizar cocaína e crack nos bastidores do programa.

Trailer:

 Assistiu Bingo? O que achou da história e das interpretações? Curta e Compartilhe com seus amigos.

@LillyDzura

Criativa, Cinéfila, Curiosa, acredita que os filmes influenciam em sua vida como lições que podem ser aprendidas sem que aquilo tenha acontecido em sua vida. Acha que toda história tem dois lados e que sempre há alguma coisa de bom para ser aprendido no que deu errado.

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