Fique atento! Notícias recentes do cinema.


Tem muita coisa boa rolando atualmente no cinema e o Minha Visão do Cinema traz diretamente para você algumas novidades e trailers quentíssimos. Confira:





Cinquenta Tons de Cinza acaba de ganhar seu trailer, que já é o mais visto de 2014. A aguardada e polêmica adaptação do best-seller estreia somente em 12 de Fevereiro de 2015. Na prévia podemos ter uma ideia das cenas quentes e da sensualidade que está por vir:




A REPÚBLICA DE WEIMAR DEFINHA NAS ILUSÕES DO CABARET

Berlim, 1931: o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães ou Partido Nazista pavimenta o caminho para a tomada do poder, o que acontecerá dentro de dois anos. É um dos momentos mais tensos da cena contemporânea. A República de Weimar está com os dias contados. Sobre seus escombros se assentará um regime que dará novos significados à perversão e à barbárie. Apesar de tudo, no Kit Kat Clube predominam o escapismo e a diversão. O Mestre de Cerimônias comanda o espetáculo: o mundo é uma festa! Não ouse duvidar, mein herr!







Cabaret

Direção:
Bob Fosse


Produção:
Cy Feuer


ABC Pictures Corporation, Allied Artists Pictures Corporation, ABC Circle Films, 20th. Century-Fox, Feuer & Martin Production


EUA - 1972


Elenco: Liza Minnelli, Joel Grey, Michael York, Helmut Griem, Fritz Wepper, Marisa Berenson, Elizabeth Neumann-Viertel, Helen Vita, Sigrid von Richthofen, Gerd Vespermann, Ralf Wolter, Georg Hartmann, Ricky Renée, Estrongo Nachama, Kathryn Doby, Inge Jaeger, Angelika Koch, Helen Velkovorska, Gitta Schmidt, Louise Quick e os não creditados Oliver Collignon, Pierre Franckh.




Dançarino e coreógrafo com farta experiência em produções hollywoodianas, Bob Fosse faz bonito ao estrear na direção de filmes, em 1968, com o feérico e inicialmente incompreendido Charity, meu amor (Sweet Charity, 1968). A história, ambientada em Nova York e livremente inspirada no roteiro de As noites de Cabiria (Le notti di Cabiria, 1957), de Federico Fellini, narra as desventuras de uma patética, otimista e simplória garota de programas (Shirley Maclaine), incansável na busca do amor verdadeiro.



A fria recepção angariada com esse primeiro trabalho condena Fosse a três anos de ostracismo. Nem mesmo a rápida e positiva reavaliação crítica do filme, imediatamente guindado à categoria de cult, basta para reabilitá-lo junto aos estúdios. Mas nada como um dia após o outro: em 1972, Cabaret, segundo filme do diretor, conquista 5 Globos de Ouro e disputa em pé de igualdade com O poderoso chefão (The godfather, 1972), de Francis Ford Coppola, dez indicações ao Oscar. A saga mafiosa adaptada da novela de Mario Puzzo recebe três estatuetas, inclusive a de Melhor Filme. Cabaret abocanha oito, para Direção, Atriz (Minnelli), Ator Coadjuvante (Grey), Fotografia, Montagem, Cenografia (direção de arte e decoração), Som e Trilha Musical Adaptada. Também concorre nas categorias de Filme e Roteiro Adaptado.


Para continuar lendo, acesse: http://cineugenio.blogspot.com/2013/03/a-republica-de-weimar-definha-nas.html




Da Terra Nascem os Homens – Um dos Melhores Westerns de Todos os Tempos, Obra Prima de William Wyler.


É verdade que o gênero WESTERN passou por várias leituras e modificações desde surgimento do cinema em 1895 até o final da década de 1970 quando o gênero foi praticamente extinto. Contudo, a fita que vamos abordar neste tópico é a primeira a ser considerada uma mega superprodução, com panorama impactante que nenhum televisor da década de 1950 poderia visualizar, com uma temática pacifista rara no gênero.

DA TERRA NASCEM OS HOMENS É dirigido por um dos grandes artesões da Sétima Arte, WILLIAM WYLER (Ben-Hur/A Princesa e o Plebeu), e visto hoje num enorme televisor LCD (ou LED) com mais de 50 polegadas (e de preferência em Blue-Ray), ainda consegue impressionar o espectador pelo belo cenário natural. Com uma pitada de humor, vamos à matéria, publicada originalmente no blog do autor a 11 de janeiro de 2013.


Paulo Telles




Blog Filmes Antigos Club.




DA TERRA NASCEM OS HOMENS
The Big Country



Direção: William Wyler, EUA, 1958


Com Gregory Peck (James McKay), Jean Simmons (Julie Maragon), Carroll Baker (Patricia Terrill), Charlton Heston (Steve Leech), Burl Ives (Rufus Hannassey), Charles Bickford (major Henry Terrill), Alfonso Bedoya (Ramon), Chuck Connors (Buck Hannassey), Chuck Hayward (Rafe), Buff Brady (Dude), Jim Burk (Cracker)


Roteiro: Robert Wilder, James R. Webb, Sy Bartlett


Baseado em uma adaptação feita por Jessamyn West e William Wyler, do romance Donald Hamilton


Fotografia: Franz Planer
Música: Jerome Moross

Produção: Originalmente, United Artists, William Wyler.



Cor, 165 min



Wallpapers do Cinema 2012

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Wallpapers do Cinema 2011


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Wallpapers de filmes variados


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Wallpapers da trilogia 'Matrix'

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Crítica: Sonâmbulos (1992, de Mick Garris)



Stephen King sempre foi o rei dos contos de suspense e horror. São inúmeras as obras do cara, como Colheita Maldita, Cemitério Maldito, 1408, O Nevoeiro, O Iluminado, Carrie - A Estranha e assim por diante. Na direção, se aventurou em filmes como Comboio do Terror. Eis que em 1992 é lançado este Sonâmbulos, que é uma das melhores histórias do escritor. Num verdadeiro banho de sangue e recheado de elementos trash e participações especiais, o filme é um deleite para os fãs do gênero. A trama traz de maneira sagaz uma diferente visão dos vampiros: numa forma felina vinda de divindades egípcias. Estes seres que não dormem se relacionam entre si (aqui é mãe com filho) e se rejuvenescem com o poder vital de moças virgens. Logo, mãe e filho chegam à uma nova cidade e começam a perseguir a jovem Tanya (a bela Mädchen Amick).

Fanático ( The Last Horror Film - 1982, de David Winters)





Nos dourados anos 80, o terror slasher estava em alta. Jason de Sexta-Feira 13 e Michael Myers de Halloween aterrorizavam sem parar com suas facas, machados e máscaras. Neste subgênero surgiram diversos filmes neste estilo. Alguns até mesmo são menos conhecidos e igualmente bons. É o caso deste filme aqui. Embora não seja feito pela Troma - lendária produtora de filmes podres e trash, como O Vingador Tóxico - parece que o filme foi em parte produzido e distribuído por ela. No elenco, o talentoso Joe Spinell (o assassino do perturbador 'O Maníaco') interpreta mais uma vez um personagem estranho. Taxista e ainda morando com a mãe, ele sonha em ser o melhor e mais elogiado diretor de terror do mundo. Atrás deste sonho, Vinny viaja até o Festival de Cannes, onde pretende gravar seu primeiro e "fabuloso" filme com sua estrela dos sonhos: a linda atriz Jana Bates (interpretada pela estonteante Caroline Munro). É aí que estranhos assassinatos começam a ocorrer entre atores, críticos e produtores de cinema.

Crítica: All Cheerleaders Die (2014, de Chris Sivertson e Lucky McKee)




Desde meados do ano passado, este era um dos filmes de terror alternativo que mais queria ver. Junto com o bom Nurse 3D (crítica aqui), estes eram os 2 filmes de terror mais pequenos em que botava fé. E embora assim como o Nurse este filme não tenha sido grandioso, é inegável que certamente é um dos filmes mais divertidos de 2014. Nada de clássico ou especial, mas esta mistura de vários elementos de filmes de faculdade, sensualidade, terror e humor negro deu muito certo. Mas fica o aviso de que só irá curtir o filme de fato é quem aceitar a ideia que o filme vende, uma certa mistura de homenagem à alguns estilos e fantasia. É um filme juvenil, que pega um amontoado de ideias e faz uma salada mista bem engraçada. Poucas pessoas gostam de filmes que servem como homenagem a certos estilos e fazem uma grande brincadeira. Se você é uma destas pessoas, assim como eu; irá gostar.

O CINEMASCOPE ESTRÉIA, USANDO TÚNICAS, LANÇAS E SANDÁLIAS

Howard Hawks ironizou o Cinemascope: seria funcional para filmar serpentes, comboios e grandes massas humanas; de resto, uma inútil dispersão dos elementos cênicos. Os processos de exibição em tela larga, atualmente conhecidos como widescreen, generalizaram-se a partir de 1953 com o Cinemascope da 20th Century-Fox. Durou até 1967, substituído pelo mais eficaz Panavision. Foi uma das tentativas hollywoodianas — como a Terceira Dimensão, o Vistavision e o Cinerama — para conter a perda de público para a televisão. As superproduções evocando temáticas bíblicas e o Império Romano fazem parte dessa vaga. O insatisfatório O Manto Sagrado (The Robe), de Henry Koster, integra esse conjunto e, de quebra, lança o Cinemascope.









                                              O Manto Sagrado
                                                  The Robe



Direção:
Henry Koster


Produção:
Frank Ross


20th Century-Fox


EUA - 1953


Elenco: Richard Burton, Victor Mature, Jean Simmons, Michael Rennie, Ernest Thesiger, Jay Robinson, Dean Jagger, Torin Thatcher, Richard Boone, Betta Saint John, Jeff Morrow, Dawn Adams, Leon Askin, , Frank Pulaski, David Leonard e os não creditados Michael Ansara, Jay Novello, Nicholas Koster, Cameron Mitchell, Sally Corner, Van Des Autels, Percy Helton, Mae Marsh, George Melford, Helen Beverly, Jan Arvan, Ben Astar, Kit Carson, Albert Cavens, Fred Cavens, Jean Corbett, Noreen Corcoran, Sally Corner, Leo Curley, Frank DeKova, Irene Demetrion, Van Des Autels, John Doucette, Anthony Eustrel, Dan Ferniel, Bess Flowers, Sam Gilman, Roy Gordon, Michael Granger, Percy Helton, Thomas Browne Henry, Rosalind Ivan, Richard Kean, George Keymas, Donald C. Klune, Nicolas Koster, Virginia Lee, Virginia Ann Lee, David Leonard, Alfred Linder, Emmett Lynn, Christey Marlo, Eleanor Moore, Edward Mundy,Arthur Page, Francis Pierlot, Alex Pope, Guy Prescott, Ford Rainey, Peter Reynolds, Pamela Robinson, George Robotham, Hayden Rorke, Gloria Saunders, Norbert Schiller, Harry Shearer, Marc Snegoff, Marc Snow, Murray Steckler, George E. Stone, Arthur Tovey, Otto Waldis, Gene Wesson.


Cristo vestia um manto quando foi obrigado a tomar o rumo do Calvário? Historiadores da ocupação romana na Palestina afirmam que os condenados à cruz seguiam despidos ao local da execução. Mesmo assim, Lloyd C. Douglas ofereceu resposta particularizada em O Manto Sagrado, portentoso volume de especulação histórica, epopeia de fé, amor, abnegação e carolice costurado pelo manto que Cristo teria supostamente trajado antes do suplício final. 


Hollywood, durante a década de cinquenta, sente profundamente o esvaziamento dos cinemas em decorrência da televisão. Adota várias táticas para conter a debandada do público, dentre as quais a realização de superproduções apoiadas em temas bíblicos, aspectos da história do Império Romano e sagas heroicas passadas na Europa medieval. A adaptação do livro de Douglas pertence a essa vaga.






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http://cineugenio.blogspot.com/2013/02/o-cinemascope-estreia-usando-tunicas.html

John Ford e Sua Fascinante Trilogia da Cavalaria Americana.

O Tópico em crítica é referente a três trabalhos que o Mestre John Ford fez sobre a Cavalaria Americana, compondo uma brilhante trilogia sobre a instituição que o cineasta admirava, onde resolveu prestar uma singela homenagem. Falaremos sobre Sangue de Heróis (Fort Apache), Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon), e Rio Grande (Rio Bravo) – três fascinantes obras que o diretor Ford nos brinda com seus característicos requintes, legando aos amantes do cinema momentos mágicos e inesquecíveis, afinal, como já foi dito, o Cinema é John Ford! A matéria foi publicada originalmente no Blog Filmes Antigos Club a 5 de janeiro de 2012.
Por Paulo Telles


Todos nós andamos à saber (e muito) que John Ford (1895-1973) foi um dos grandes mestres do Cinema, muito embora nos costumamos a associá-lo ao gênero Western, e de fato, também é a quintessência do estilo genuinamente norte-americano por excelência, e tanto quanto Cecil B. DeMille, sua história também se confunde com a origem da Sétima Arte.




Ford não se considerava um artista, mas a indústria, o público, e os colegas, sim. Por três vezes, foi eleito Melhor Diretor do Ano pelo Sindicato dos Diretores de Cinema da América. Recebeu quatro prêmios da Academia na categoria de melhor Diretor do Ano e outros dois por curtas-metragens de documentários que dirigiu. O American Film Institute lhe concedeu o seu Live Achievement Award, lhe honrando as realizações de toda uma vida dedicada ao cinema.



Ford tinha um estilo único, e tal como os cowboys que ele mesmo apresentou nas telas, ele era um homem de poucas palavras, ou podemos mesmo dizer, curto,prático e objetivo: Eu sou John Ford e eu faço westerns. Evidentemente que se vê o amor e a dedicação em que ele empenhava em conduzir grandes obras, mas era um diretor tão nobre que chegou a declarar, em 1968, numa entrevista, que seus filmes mais admirados e considerados não eram os westerns. Fosse como fosse, realizou tudo com maestria e nobreza.

O grande Orson Welles (1915-1985), outro gigante da cinematografia mundial, declarou quando questionado por um repórter qual era seu cineasta preferido: os velhos mestres, John Ford, John Ford, e John Ford. Sem dúvida, muitos diretores da geração de Ford quanto os que viriam mais tarde tiveram influências dele e de seus trabalhos.

Ford leu muito sobre a Cavalaria Americana, e partiu dele a ideia de contar o que sabia sobre a instituição, mas achou melhor contar numa forma de trilogia. A esta altura, John Wayne (1907-1979) já era seu grande astro, cujo impulso foi alavancado pelo próprio Ford na sua obra No Tempo das Diligências, em 1939. É verdade que Ford e Wayne tiveram altos e baixos ao longo de suas vidas (possivelmente, a única pessoa com quem pudesse “perder uma briga” para Ford era justamente o “Duke”), mas jamais deixaram de ser grandes amigos, apesar do grande cineasta tentar controlar a carreira de Wayne até o fim de sua vida, em 1973. Wayne estrelou a trilogia espetacular que faz parte da imensa filmografia do diretor, cuja lista de obras se inicia em 1914.


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http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2012/01/john-ford-e-sua-trilogia-da-cavalaria.html

O WESTERN AO ‘DEUS DARÁ’ DE J. LEE THOMPSON


Lógica alguma decide o comentário da vez em "Eugenio em Filmes", que não a ilogicidade do sorteio. Números dispersos ‘pelo tabuleiro’ organizam a escolha. Até o momento, a boa sorte indicou comentários de filmes no mínimo aceitáveis e instigantes. Agora, o azar elegeu uma das mais vagabundas produções: O ouro de Mackenna (Mackenna’s gold), de J. Lee Thompson. Então, está bom! Assim seja! Espero manter o padrão do acaso quando o eleito versar sobre alguma aventura de Maciste, um western spaghetti de fundo de quintal ou seu similar feijoada, uma comédia com Lando Buzzanca, até um Jesse James contra Drácula, coisas às quais assistimos somente na inocência da infância ou quando tomamos a estúpida decisão racional de vê-las com o objetivo de criticar com base.




                                           O ouro de Mackenna
                                              Mackenna's Gold



Direção:
J. Lee Thompson

Produção:
Carl Foreman, Dimitri Tiomkin


Columbia Pictures Corporation, Highroad Productions


EUA - 1969


Elenco: Gregory Peck, Omar Sharif, Telly Savalas, Camilla Sparv, Keenan Wynn, Julie Newmar, Ted Cassidy, Lee J. Cobb, Raymond Massey, Burgess Meredith, Anthony Quayle, Edward G. Robinson, Eli Wallach, Eduardo Ciannelli, Dick Peabody, Rudy Diaz, Robert Phillips, Shelley Morrison, Robert Porter, John Garfield Jr., Pépe Callahan, Madeleine Taylor Holmes, Duke Hobbie, Victor Jory e o não creditado Trevor Bardette.

J. Lee Thompson me forneceu inesquecíveis momentos de prazer durante a infância. Deliciou-me, dos 8 aos 12 anos, com a aventura Taras Bulba, o cossaco (Taras Bulba, 1962), a comédia A guerra no harém (John Golfarb, please come home, 1964) e o drama bélico Os canhões de Navarone (The guns of Navarone, 1961). Dele ainda vi, em 1971, mal entrando na adolescência, o assustador — ao menos para a época — Círculo do medo (Cape fear, 1961).

Jamais revi algum desses filmes. Aliás, para evitar decepções é melhor não revê-los. Não depois de ser tardiamente exposto às imagens de O ouro de Mackenna, western tão ambicioso como malfadado, rodado por J. Lee Thompson em esplendorosos cenários naturais dos EUA: Grand Canyon, Chelly National Monument, Glen Canyon National Recreational Area, Mesas Hopi, Kanab, Flagstaff, Snow Canyon, Johnson Cayon, Rogue River e — sacrilégio dos sacrilégios — o fordiano Monument Valley.






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http://cineugenio.blogspot.com/2013/02/o-western-aos-deus-dara-de-j-lee.html

Crítica: Nebraska (2013)



Falar do Oscar 2014 a essa altura parece ultrapassado. Mas é inegável que algumas histórias dos filmes que marcaram presença na cerimônia esse ano deixaram alguma coisinha dentre nós, os espectadores que assistiram. 
Como não ser assombrado pelos horrores humanos expostos em 12 Anos de Escravidão? Como não ser tocado pelo amor cheio de cores e essências de Ela ou pelo diálogo final sobre perdão de Philomena?
De todos os indicados ao melhor filme desse ano, até ontem eu não tinha visto apenas dois. Pelo visto O Lobo de Wall Street eu não assistirei mesmo nunca, mas graças ao, digamos, pedido de um amigo, ontem à noite eu conferi o outro que faltava, Nebraska
O que eu já ouvia antes mesmo de assistir era que eu iria me deparar com uma obra muito bonita e fofa e divertida. E que eu gostaria muito. É fato que o pequeno filme foi muito elogiado em incontáveis festivais, teve muito amor dos críticos e marcou sua presença no Oscar com indicações, assim como é fato que gostei sim do filme, só que certamente eu já não me lembrarei dele na semana que vem.


Mas vamos aos elogios. A estória do senhor de idade bem avançada que mete na cabeça que ganhou um prêmio de 1.000.000 de dólares e é acompanhado pelo filho em uma viagem até outro estado para receber o tal prêmio, tem seus méritos. Eu sempre gosto de fugir dos elogios óbvios. Porque em um filme como esse parece que todos têm os mesmos elogios padronizados. Boas atuações, bom roteiro. Então gosto de elogiar o que normalmente ninguém dá crédito.
O estilo visual, por exemplo. Uns acharam desnecessário o uso da fotografia em P&B. Eu achei essencial para fazer o filme se diferenciar de outras pequenas pérolas por aí. O P&B o transformou em algo único. A direção de fotografia é linda, com lindos ângulos de câmera mostrando paisagens áridas distantes (e esse crédito dos ângulos de câmera nada tem a ver com o diretor. Obviamente escolhas do diretor de fotografia).
O som. Não acho que existiu uma alma viva que sentou para escrever uma crítica sobre Nebraska e parou para elogiar o som (risos). Mas para mim é um trabalho de mixagem de som de primeira. E uma vez que estamos no departamento sonoro, aproveito para mencionar a gostosinha trilha sonora que embala os principais momentos com graça instrumental.


Então entrando nos motivos que colaboraram para eu não considerar Nebraska como a cereja do bolo... Eu confesso que só fui esboçar o meu primeiro sorriso enquanto assistia aos 20 minutos de duração com uma sequência inspirada envolvendo o sumiço de uma dentadura. Foi só depois de 20 minutos que eu senti - bem pouquinho - o tal tratamento caloroso da relação pai e filho como prometido. 
Aos 35 minutos um diálogo em um bar entre pai e filho sobre "sexo apenas para procriação" e alcoolismo me ganhou ligeiramente de novo. Era o roteiro voltando a dar sopros de vida.
Aos 46 minutos brilha June Squibb (indicada ao Oscar de atriz coadjuvante com muita justiça, eu posso afirmar agora) numa cena em um cemitério. Quando aos 72 minutos ela solta um "Vocês podem todos ir se foder!" eu bati o martelo decretando ela como a melhor coisa desse filme.
As atuações. Estão todos muito bem, mas eu simplesmente não me perdoo por ter considerado um dia o Bruce Dern nos meus bolões para o Oscar como uma real possibilidade. Falando sobre Oscar em especial, o vencedor do prêmio é o ator (ao menos deveria ser) que mostra algo na arte de atuação nunca visto antes, uma face diferente. E podemos considerar o trabalho de atuação do Dern de alguma forma revolucionário ao beber, dormir em frente a TV e parecer triste? É complexo. É como o povo que defende o Oscar da Sandra Bullock dizendo que ela passou todas as emoções apenas com o olhar, batendo de frente com o povo que diz que ela não passou de uma atriz sem expressão com uma feia peruca loira. Mas uma realidade é que Will Forte, interpretando o filho, merecia muito mais uma indicação como ator coadjuvante, ele sim expressando um leque mais vívido, mais plausível de emoções.


No fim eu acho que o diretor Payne podia ter tentando algo diferente com o Dern. Podia ter usado câmera na mão (essa história tão intimista clama por isso!). 
É um filme bom, que podia ter sido ótimo. Podia ter deixado alguma coisinha dentro de mim para a eternidade como alguns filmes deixaram. Mas as minhas memórias de tê-lo assistido de fato não sobreviverão até meados de julho.



- Crítica de Wellington S.O.