OS TEMORES POLÍTICOS DO CINEASTA E CIDADÃO FEDERICO FELLINI

Fellini exacerba sua vocação à alegoria em Ensaio de orquestra. Dentre todos os seus filmes este é o mais didático, provocador e politicamente comprometido. Seu compasso é marcado pelo pessimismo e pela irreverência. A exposição tem a concisão característica dos manifestos. É um instantâneo estruturado como pesadelo. O cineasta demonstra preocupação com os graves problemas que assombravam e punham em xeque a democracia italiana no momento da realização. Também é obra que se abre a outras interpretações.








Ensaio de orquestra
Prova d’orchestra


Direção:
Federico Fellini


Produção:
Raffaele Forti

RAI, Daimo Cinematográfica S. P. A, Cine Roma (Roma), Albatros Produktion GmbN (Mônaco)


Itália, Mônaco - 1979


Elenco: Balduin Baas, Clara Colosimo, Elizabeth Labi, Ronaldo Bonacchi, Elizabeth Sueb, Ferdinando Villela, Andy Miller, Franco Mazzieri, Claudio Ciocca, Giovanni Javarone, David Maushell, Francesco Aluigi, Sibyl Moster, Daniele Pagani, Luigi Uzzo, Cesare Martignoni, Umberto Zuanelli, Filippo Trincia, Angelica Hansen, Heinz Kreuger, Federico Fellini.



Federico Fellini estreou no cinema em 1939, como criador de piadas para as comédias de Mário Mattoli. Posteriormente, tornou-se argumentista, roteirista, assistente de direção e ator. Trabalhou com diretores renomados: Roberto Rosselini, Alberto Lattuada, Pietro Germi e Lugi Comencini. Passou à realização em 1950, com Mulheres e luzes (Luci del varietà), dividindo a atividade com Lattuada.

Ensaio de orquestra é o décimo-nono título do realizador Fellini. Sucede a Casanova de Fellini (Il Casanova di Federico Fellini, 1976) e surge em meio a uma paralisação nas filmagens de A cidade das mulheres (La città delle donne, 1980). Despendeu 16 dias na rodagem e duas semanas na finalização, verdadeiro recorde se comparado aos períodos maiores que o cineasta levou para conceber, maturar e concluir outros filmes. É a última colaboração de Nino Rota com Fellini. O músico — a quem o filme é dedicado — faleceu pouco antes do encerramento da produção. Suas sonoridades marcam presença na felliniana desde Abismo de um sonho (Lo sceicco bianco, 1952). Ausentaram-se apenas do episódio de L'amore in città.



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Quo Vadis - O Colossal Épico da Metro.




QUO VADIS
Ano: 1951.
Produção: Sam Zimbalist para Metro- Goldwyn- Mayer.
Direção: Mervyn LeRoy.
Trilha Sonora: Miklos Rozsa
Elenco: Robert Taylor, Deborah Kerr, Leo Genn, Peter Ustinov, Patricia Laffan, Felix Aylmer, Buddy Baer, Marina Berti, Abraham Sofaer, Finlay Currie, Ralph Truman, Nora Swinburne, Norman Wooland.
NARRAÇÃO: Walter Pidgeon.

QUO VADIS (Quo Vadis), de 1951, dirigido por Mervyn LeRoy (1905-1987) iniciou um ciclo de épicos religiosos ou bíblicos que percorreria quase que toda década de 1950 até meados da década seguinte, produtos como "O Manto Sagrado" (1953), e sua seqüência "Demétrius e os Gladiadores" (1954); "O Cálice Sagrado"(1954), que foi a estréia de Paul Newman, que considerava um "Lixo"; "David e Bethsabé" (1951); "O Filho Pródigo"(1955), estrelado por Lana Turner; "Os Dez Mandamentos"(1956), de Cecil B. DeMille; "Ben-Hur"(1959) de William Wyler, campeão absoluto dos Oscars até empatar com Titanic, em 1999; "Rei dos Reis"(1961), belíssimo filme sobre a Vida de Jesus Cristo dirigido por Nicholas Ray; e entre outros, "Barrabás"(1962), com Anthony Quinn numa impressionante interpretação.


QUO VADIS foi um estrondoso sucesso de bilheteria. No Brasil então, principalmente no Rio de Janeiro, invadiu as salas dos saudosos Cine-Metro durante meses, onde estreou em grande circuito a 25 de fevereiro de 1952. Uma superprodução realizada pouco depois do surgimento da Televisão nos EUA (que ameaçava às salas de cinema e que só veio a ser amenizada com a criação da técnica Cinemascope, para não perder a concorrência).

Extraído da obra literária publicada em 1897 pelo polonês Henryk Sienkiewicz (1846-1916), prêmio Nobel de Literatura em 1905, e anteriormente levada às telas três vezes na era do cinema mudo, sendo a mais famosa a de 1924, estrelado por Emil Jannings (1884-1950), como Nero. A primeira versão data de 1902, de Ferdinand Zecca (1864-1947), o mesmo pioneiro que dirigiu, em 1905, La vie et la passion de Jésus Christ, mas hoje a película esta perdida e não há maiores informações. A Segunda versão cinematográfica do romance de Sienkiewicz é de 1912.



Na versão de Mervyn Leroy, Nero é interpretado de forma soberba por Sir Peter Ustinov (1921-2004), que foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante junto com Leo Genn (1905-1978), que faz a parte de Petronius, seu conselheiro e autor da Obra Satyricon (não mencionada nesta versão a autoria da obra pelo personagem, mas abordado por Federico Fellini num filme homônimo).







A DOR DO INDIZÍVEL PELAS LENTES DE KANETO SHINDÔ

Essencialmente são apenas pai, mãe e dois filhos. Estão reduzidos ao básico mais extremo. Habitam e cultivam exíguo, íngreme e seco monturo largado em meio ao mar. A Ilha Nua trata do indizível. Palavras lhe são inteiramente dispensáveis. O filme pode ser compreendido como um tratado sobre a condição humana. É, com todo o sentido, considerado o equivalente cinematográfico japonês para Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
  




                                                   A ilha nua
                                              Hadaka no shima




Direção:
Kaneto Shindô


Produção:
Kindai Eiga Kyodai


Toho Company
Japão - 1961


Elenco:
Nobuko Otowa, Tayi Tonoyama, Shinji Tanaka, Masanori Horimoto.




O cinema neorrealista italiano foi pródigo na realização de filmes sobre a "condição humana". Mas, provavelmente, nenhuma das obras assinadas por Vittorio De Sica, Luchino Visconti, Roberto Rosselini e Federico Fellini — expoentes incontestes do movimento — levou a questão a limites tão extremos como o japonês Kaneto Shindô em A Ilha Nua, vencedor do Grande Prêmio do Festival de Moscou de 1961. É produção simples, de orçamento reduzidíssimo, que dispensa palavras para se comunicar. As imagens sinceras, comoventes e despojadas, captadas em preto-e-branco por Kyioshi Kuroda, preenchem a realização com elementos essenciais à compreensão. Mas não é fácil assisti-la. Do início ao fim, a dor mais aguda se instala como companheira de viagem. A lha nua faz parte de um tipo de cinema cada vez mais raro atualmente: aquele que obriga à reflexão sobre nós mesmos, resgatando questões fundamentais sobre o "ser" e o "existir", cada vez mais reduzidas ao nível de abstrações inúteis frente à emergência de um tipo de pensamento que esgota a vida nos escaninhos do pragmatismo e da instrumentalização.

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Você se Sente Com Sorte? Clint Eastwood e seus cinco filmes da Série Dirty Harry.



Por Paulo Telles

Eu sei o que você está pensando – ele atirou seis ou apenas cinco? Bem, para falar a verdade, com toda essa excitação, eu mesmo perdi as contas. Mas como se trata de Magnum 44, a pistola mais poderosa do mundo, que ia explodir sua cabeça, você deve se fazer uma pergunta: Estou me sentindo com sorte? Bem, você está, idiota? Vamos, complete meu dia!
 –  Mr. Harry Callahan - Dirty Harry


Que tal falarmos do mais polêmico herói policial do cinema, ou por que não dizer o mais verdadeiro e sincero saído da ficção? Falo de Dirty Harry (Harry Sujo). Na verdade, o termo Dirty  é a palavra-chave usada na linguagem inglesa para qualificar qualquer tipo de operação mais ou menos ilegal ou imoral, mesmo sob justificativas nobres. Logo, este é o perfil clássico do personagem interpretado pelo grande Clint Eastwood, onde ele esta dentro do contexto da temática da justiça feita a qualquer preço, doa a quem doer.


Nada se compara a sua brutalidade!  Evidente que as plateias de todo mundo sempre foi apaixonada por lobos solitários (sobretudo nos westerns, só analisarmos heróis interpretados por Gary Cooper, John Wayne, ou Henry Fonda), e Harry Callahan é o exemplo máximo desse arsenal de  justiceiros e vingadores.

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Crítica: O Hobbit - A Desolação de Smaug (2013, de Peter Jackson)





Já não deve ser novidade para ninguém que a franquia O Hobbit é a pré-sequência, ou seja, se passa 60 anos antes da trilogia O Senhor dos Anéis. O Hobbit pode não ter a inovação que a trilogia anterior teve, mas a saga apresenta um ótimo potencial, isso possivelmente se deve à Peter Jackson. O cara que também dirigiu a trilogia anterior, preparou com a trilogia O Hobbit uma aventura grandiosa pela Terra Média. Não vou fazer muitas comparações com a O Hobbit - Parte 1 ou O Senhor dos Anéis. Para isso leia a crítica de O Hobbit - Uma Jornada Inesperada (crítica aqui). O que posso falar é que O Hobbit - A Desolação de Smaug consegue ser melhor que o anterior e nos prepara para o final épico, que está vindo aí em Dezembro de 2014.

Crítica: Frozen - Uma Aventura Congelante (2013, de Chris Buck e Jennifer Lee) O maior sucesso da história da Disney!




Na lista atualizada dos filmes mais vistos da história do cinema mundial, os filmes que ficam do primeiro ao quarto lugar são; respectivamente: Avatar, Titanic, Os Vingadores e Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2. Recentemente esta animação ocupou o quinto lugar, com fenomenais 1.232.600.000 de dólares arrecadados aproximadamente. Assim o filme não é apenas o quinto mais visto da história. É também a animação (e filme infantil) mais vista de todos e o maior sucesso da história da superpotência Studios Disney. Ganhador do Oscar 2014 de Melhor Animação e Melhor Canção por Let it Go, de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez - a animação conquistou o mundo. O Minha Visão do Cinema lança então a crítica deste fenômeno cinematográfico.

Crítica: Pompeia (2014, de Paul W.S. Anderson) - Épico baseado em uma das maiores catástrofes do mundo antigo!





O início cinematográfico de 2014 foi marcado por diversos fracassos e decepções. Juntamente com Frankenstein - Entre Anjos e Demônios (leia a crítica aqui) e Hércules 3D (leia a crítica aqui), Pompeia amargou em público e crítica. Mas diferente da decepção dos dois filmes citados, Pompeia é um filme muito melhor. Clichê é verdade, mas diria que é um amontoado de clichês convincentes e bem usados. Enquanto que os outros dois filmes citados tiveram cerca de 5% de aprovação da crítica apenas, Pompeia se sai um pouquinho melhor, com 30%. Nas mãos do diretor Paul W.S. Anderson (de Resident Evil 1, 4 e 5, Corrida Mortal e Os Três Mosqueteiros 3D), o diretor perito em ação e efeitos especiais entrega uma montanha russa. Nas suas costas está a missão de relatar a tragédia real de Pompeia, cidade-ilha devastada pelo vulcão Vesúvio. Hoje, Pompeia é um dos lugares mais visitados por turistas, onde se pode ver os corpos do povo da cidade verdadeiramente petrificado pelas cinzas do vulcão. A opção do diretor e dos roteiristas foi fazer uma mistura de Gladiador, Titanic 2012. Mesmo que de pura fantasia, o filme é um dos épicos mais divertidos dentre os mais recentes.

Crítica: Uma Aventura Lego (2014, de Phil Lord e Christopher Miller) Tão inventivo quanto as pecinhas colecionáveis.




E quem diria que as pecinhas de encaixar viraria filme? A verdade é que nos últimos anos o brinquedo Lego ganhou um grande status. Com diversos games, desenhos, páginas de redes sociais e principalmente: diversos conjuntos de montar dignos de colecionadores, Lego é visto por alguns como mais do que simples brinquedos. Além disso, universos clássicos como o faroeste e até mesmo cinematográficos como 'Star Wars' e como os super heróis ganharam suas versões Lego na TV e nas caixas e prateleiras de lojas infantis. Pegando isso por base e adicionando muita inventibilidade e humor, a dupla de diretores Phil Lord e Christopher Miller (de 'Tá Chovendo Hambúrguer' e 'Anjos da Lei 1 e 2') entregam um dos melhores filmes de 2014 até então! Não é exagero, pois além de ótima bilheteria, a animação arrancou ótimas críticas de cerca de 96% dos especialistas em cinema; assim 'Uma Aventura Lego' é um verdadeiro fenômeno.

Crítica: Rio 2 (2014, de Carlos Saldanha) - No ano da Copa o Brasil fica em evidência.




'Rio', imenso sucesso de 2011 ganha sua continuação. O primeiro filme agradou a maioria, enquanto que outros acharam muito caricato e estereotipado a maneira de como os brasileiros foram representados. Tirando alguns clichês, achei muito bom o filme e digo mais: quer mais estereótipos do que o próprio cinema nacional? É favela, é nudez, é palavrão e é comédia pastelão. Estes são os clichês do nosso cinema (salvo algumas exceções). O diretor brasileiro Carlos Saldanha ao menos apresentou alguns clichês leves, como a figura carioca e o nosso Carnaval. Além disso, ele apresenta belíssimas imagens do nosso Rio de Janeiro, além de parte das músicas serem boas (digo parte, pois também não sou um admirador da nossa música). Enfim, com o sucesso do filme e 'Rio' ganhando o mundo em 2011, logo teríamos a segunda parte.

OS DOZE APÓSTOLOS PROFANOS DO MAJOR REISMAN

A guerra conjuga, essencialmente, os verbos matar, destruir, tomar, invadir, atacar, trucidar, conquistar e vencer. Então, quais os soldados mais indicados para os combates? Os pacatos cidadãos comuns, transformados em máquinas de aniquilação por força de exaustivos treinamentos e doutrinações? Convertidos, muitas vezes, em desajustados sociais em tempos de paz? Ou os mais recomendados seriam indivíduos já tarimbados em assassinatos ou em qualquer tipo de conduta antissocial? Se estes morrerem no front, será, para a visão cínica de Robert Aldrich, o menor dos males. Se sobreviverem, que sejam condecorados, transformados em heróis, adaptados aos rigores da vida militar! É de homens assim que as forças armadas necessitam, parece dizer o diretor de Os doze condenados, filme considerado leitura profana dos Evangelhos.



O comentário a seguir é dedicado às memórias do Cine Odeon (Viçosa/MG) e de seus funcionários, Francisco Cunha Amorim (Chico Borró) e Custódio de Souza Parreira. Eles adoravam Os doze condenados.











                                            Os doze condenados
                                                The dirty dozen





Filmado nos estúdios britânicos da Metro-Goldwyn-Mayer, Os doze condenados é o décimo-oitavo título da filmografia de Robert Aldrich e seu maior sucesso comercial. O generoso retorno nas bilheterias permitiu ao diretor incrementar a própria companhia produtora, a Aldrich and Associates. Infelizmente, o sonho de independência financeira e criativa, comum aos melhores realizadores do cinema americano, durou curtos cinco anos, de 1968 a 1973. Nesse período, a carreira de Aldrich entrou em declínio. A mão segura e o talento o abandonaram. Excetuando-se os bons A vingança de Ulzana (The Ulzana’s raid, 1972) e O imperador do norte (The emperor of the North, 1973), suas demais realizações no referido quinquênio são, na maioria, frustrantes: A lenda de Lylah Clare (The legend of Lylah Clare, 1968), Triângulo feminino (The killing of Sister George, 1969), Assim nascem os heróis (Too late the hero, 1970) e Resgate de uma vida (The Grissom gang, 1971) decepcionaram crítica e público.



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O Assassinato de um Presidente (1973): Complô para matar JFK.





O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE
(EXECUTE ACTION)


Ano: 1973

País: EUA

Direção: David Miller

Produção: Edward Lewis

Roteiro: Dalton Trumbo

Fotografia: Robert Steadman (cores)

Metragem: 91 minutos



ELENCO:
Burt Lancaster- James Farrington
Robert Ryan - Robert Foster
Will Geer - Harold Ferguson
John Anderson -Halliday
Paul Carr -Atirador
Ed Lauter - Chefe de Operação
Walter Brooke- Smythe
Lee Delano - Atirador 2



Por Paulo Telles - Editor do Blog FILMES ANTIGOS CLUB

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Dalton Trumbo (1905-1976), uma das vítimas do Caça as Bruxas do Macartismo, escreveu O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE (Executive Action), obra política produzida em 1973, que buscou ser uma especulação plausível sobre os fatos secretos e um tanto misteriosos que desencadearam o tiroteio da Praça Dealey de Dallas, ao meio dia e meia do dia 22 de novembro de 1963, o cenário do assassinato do Presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy (1917-1963).


Segundo a versão de Trumbo, um grupo de ricos industriais e autoridades de extrema direita, compostas por Burt Lancaster (1913-1994), Robert Ryan (1909-1973), e Will Geer (1902-1978), planejaram e executaram o atentado, com a meticulosidade e a frieza de uma operação científica. Aliás, como diz literalmente o título original, orquestraram uma Ação Executiva. Vale destacar que os brilhantes Lancaster, Ryan, e Geer eram, na vida real, artistas filiados ao Partido Democrata Americano, o total oposto aos personagens que interpretam.




O tropismo pela violência é denunciado por Trumbo como um processo maligno no seio da história americana, embora venha a tratar, é claro, de mera hipótese ficcional com base em dados e dúvidas da realidade concreta. E a película busca revelar os desencantos da América contemporânea do mesmo modo que Trumbo traçou em Sua última façanha, estrelado por Kirk Douglas e produzida em 1963, um magnifico western moderno que ele escreveu para o mesmo diretor e produtor de O Assassinato de um Presidente: David Miller (1909-1992) e Edward Lewis, respectivamente.

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Crítica: 300 - A Ascensão de um Império (2014, de Noam Murro)





O primeiro '300', lançado entre o final de 2006 e o início de 2007 foi um imenso sucesso inesperado. O filme foi inspirado na Graphic Novel do quadrinista Frank Miller (lançada no Brasil como 'Os 300 de Esparta') e por sua vez esta HQ foi inspirada na 'Batalha das Termópilas', uma batalha real entre espartanos e o exército de Xerxes em 480 a.C. Batalha esta retratada em um filme de 1962, também com o nome de 'Os 300 de Esparta' e fonte de inspiração para Miller. Devido ao fato do exército Persa ser infinitamente maior que o espartano, esta resistência além do normal tornou-se lenda, criando-se várias histórias em cima do corajoso exército de Esparta. É aí que entra a lenda dos '300', embora em momento nenhum da história se comprovou quanto eram no poderoso e pequeno exército. Trazendo um pouco de mitologia, cenas muito fortes e de muito estilo, '300' tornou-se um "cult instantâneo". O diretor Zach Snyder (de 'Sucker Punch' e 'Watchmen') revelou então seu estilo de contar histórias: com muito slow motion (câmera lenta), cenas 3D, ótimo uso de efeitos especiais - às vezes remetendo à HQ - e ação acima da media, com uma violência gráfica bem forte. Com um orçamento de "apenas" 70 milhões de dólares (eu disse "apenas", pois o filme tem um visual onde parece ter custado uns 200 milhões); o filme arrecadou justamente mais de 200 milhões de dólares. Com tamanho sucesso, ficava evidente que teríamos mais.
'300 - A Ascensão de um Império' chega como uma continuação que diverte, mas fica bem abaixo do esperado. Já começa com o fato de Zack Snyder ficar apenas na produção do filme. Sob a direção, o desconhecido Noam Murro. O cara tenta, mas não tem o mesmo "espírito espartano" de Snyder. E o roteiro superficial não ajuda. Temos aqui 3 grandes problemas que desbancam o filme. O primeiro é este diretor, que tenta simplesmente copiar Snyder, mostrando-se sem originalidade e coragem de inovar. Mas isto teria dado certo se houvesse um bom roteiro, o que infelizmente não acontece. O segundo problema é que o roteiro é bem superficial, não dando importância para os bons personagens que sim, estão presentes. Isto acaba distanciando o público também da hora da ação, já que não conhecemos tão bem nossos heróis e vilões. O terceiro defeito do longa é a falta de um herói mais grandioso. O ator Sullivan Stapleton (visto em pequenas participações, como no filme 'Caça aos Gângsteres') interpreta o general grego e herói Themistokles. O cara realmente se esforça e isso é louvável. Mas por ser um rosto desconhecido e por não ser grandioso como o Rei Leônidas, interpretado pelo imponente Gerard Butler no primeiro filme - fica esta sensação de que esta continuação merecia um herói mais forte. Em um outro filme Sullivan Stapleton se sairia muito melhor, já que ele consegue mandar bem. Mas por se tratar da continuação de '300', o ator parece não empolgar.

Mas fora estes defeitos, o filme tem alguns méritos, justificando a bilheteria boa e parte da crítica (cerca de 45%) aprovar o filme. Apesar de apagado na grandiosidade do filme como já comentado, Sullivan Stapleton ao menos atua de forma que não estraga o filme. Um acerto é o fato deste filme se passar paralelamente ao primeiro, ou seja: enquanto os 300 espartanos sob o comando de Leônidas enfrentava alguns generais de Xerxes; Themistokles e seu exército grego enfrenta outros generais em outra região. Legal também é que os gregos são mais humildes e tem um plano melhor de guerra, fugindo daquele estereótipo suicida "ostentando e morrendo pela glória". Para ligar os pontos, o filme rapidamente mostra Leônidas, além de trazer de volta a esposa dele vivida pela ótima atriz Lena Headey (da série 'Game of Thrones'). Aqui ela é uma coadjuvante de luxo, mostrando o motivo de ser uma das mais poderosas estrelas de produções épicas, seja no cinema ou na TV. Outros rostos vistos no primeiro filme estão de volta, como o corcunda traidor Efialtes. Na pele do Rei-deus Xerxes, novamente temos o brasileiro Rodrigo Santoro. Apesar de estar quase irreconhecível e ser apresentado de modo endeusadamente caricato, Santoro não compromete e entrega um aceitável vilão. Porém aqui ele aparece menos em tela e aparenta ser mais frágil, mostrando que sua glória estava no seu exército e não na sua liderança. Com uma voz forte, em tamanho maior através de efeitos especiais e mitologicamente representado, Xerxes parece mais um desequilibrado orgulhoso e de corpo pintado de dourado do que um Rei ou deus.


E ainda falando do elenco, não tem como deixar de destacar ela, o real motivo do filme valer a conferida. A bela Eva Green entrega uma presença e atuação superior ao próprio filme. A moça que já foi vista em filmes como '007 - Cassino Royale' e 'A Bússola de Ouro' é dona de uma excêntrica beleza, com um olhar ameaçador o tempo todo. Me arriscaria a dizer que ela é a protagonista do filme, ou ao menos deveria ser. Após sofrer abusos e horrores quando jovem, Artemisia é criada por Dario (pai de Xerxes). Após a morte de Dario pelas mãos de Themistokles, Xerxes assume seu posto e Artemisia vira sua principal guerreira e general. Em dado momento, mesmo que muito breve, nota-se que ela se torna quase que como uma mãe de Xerxes. Um breve momento de emoção em um filme forte. Eva Green parece ser a mais dedicada ao papel, mostrando o motivo dela receber a atenção. Ela não é apenas a grande vilã do filme, como também quase se torna a anti-herói. Em certo momento Artemisia passa a admirar Themistokles, possivelmente por ele ser um real desafio. Ela então se sente atraída por ele e vê o potencial dele lutar ao lado dela. É aí que há uma das melhores sacadas do filme: a guerra dos sexos. Seduzindo Themistokles mesmo ele não passando para o lado dela, ocorre uma cena onde o sexo na verdade é uma luta, bem violenta. Portanto, eu diria que a base e o pilar central do filme é Eva Green, sustentando a obra com o seu forte olhar, sensualidade bruta e uma frieza cruel. Artemisia é má e sanguinária, tendo vários momentos detalhadamente fortes.


A trilha sonora nervosa do primeiro filme está de volta neste segundo, embora se faça menos presente. Os efeitos especiais e a fotografia forte são pontos à parte. Tudo é feito de modo gráfico, onde apesar de você saber que é CGI, é chamativo e remete à algo. Os céus, as planícies, o mar e todo o cenário berra os contrastes entre tons escuros (preto, azul) com uma iluminação alaranjada e o sangue vermelho. Em alguns momentos parece que estamos folhando uma chamativa HQ. Tudo feito para exaltar a guerra, as mortes e o tom sombrio do filme. O visual do longa funciona como um estado de espírito. As sangrentas batalhas, simplesmente lotadas de câmera lenta e sangue e membros sendo jogados contra a câmera garantem um filme 3D para maiores de idade. Este segundo filme pode ser inferior no geral, mas é mais visceral que o primeiro. As lutas muito bem coreografadas irão agradar a que curte uma ação na base da fantasia e onde se esquece da física. Tudo é muito grandioso, o gore jorra na câmera e a adrenalina sobe. Se você gosta de épicos com mortes exageradas, nisso este novo '300' não te priva.


Finalizando, diria que '300 - A Ascensão de um Império' é um daqueles filmes que poderia ter sido nota 10, mas não foi. A história, os cenários e as lutas são grandiosos, mas faltou direção e um roteiro à altura e igualmente grandioso. O filme acaba valendo pelo excelente e chamativo visual, lutas e cenas extremamente radicais e uma vilã assustadoramente cruel. Eva Green leva o filme nas costas e acaba valendo o tempo. Pelo final incompleto e pelo sucesso deste, possivelmente em breve ouviremos falar da terceira parte. Esperamos então que esta parte seja a última e genuinamente grandiosa, honrando assim a lendária saga dos 300 de Esparta - e muito além disso - honrando este cativante, mitológico e glorioso império grego!





Direção: Noam Murro

Elenco: Lena Headey, Eva Green, Rodrigo Santoro, Sullivan Stapleton, David Wenham, Jack O’Connell, Scott Burn, Nancy McCrumb, Caitlin Carmichael, Hans Matheson, Callan Mulvey, Andrew Tiernan, Mark Killeen, Andrew Pleavin.Sinopse: baseado em Xerxes, quadrinhos de Frank Miller, e narrado no estilo visual de tirar o fôlego do sucesso '300', o novo capítulo da épica saga leva a ação a um inédito campo de batalha – o mar – à medida que o general grego Themistokles (Sullivan Stapleton) tenta unir a Grécia ao liderar o grupo que mudará o curso da guerra. '300: A Ascensão de um Império' coloca Themistokles contra as enormes forças Persas, lideradas por Xerxes (Rodrigo Santoro), um mortal que virou deus, e por Artemisia (Eva Green), uma vingativa comandante da marinha persa.


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