Crítica: Os Lordes de Salem (2013)




Direção: Rob Zombie

Elenco: Sheri Moon Zombie, Bruce Davison, Ken Foree, Dee Wallace, Maria Conchita Alonso, Judy Geeson, Michael Berryman, Sid Haig.

Sinopse: Na cidade de Salem, Massachusetts, vive a DJ Heidi (Sheri Moon Zombie), que trabalha em uma estação de rádio. Um dia, ela recebe uma pequena caixa de madeira, contendo um disco, um "presente dos deuses". Enquanto ouve estes sons estranhos, Heidi começa a se lembrar do passado violento da cidade. Seria apenas um acesso de loucura, ou as bruxas dos séculos passados estariam despertando e voltando aos tempos modernos?



Trailer:



E de novo saímos na frente. Os Lordes de Salem recém estreou nos Estados Unidos e não há previsão de lançamento no Brasil. Talvez saia direto em DVD no Brasil, por ser um filme independente. Falar de um filme de Rob Zumbie nunca é fácil. O roqueiro que decidiu virar diretor de filmes de terror é odiado por muitos, amados por tantos. Tenho acompanhado a carreira dele e logo já digo: seu primeiro trabalho foi ótimo. Foi A Casa dos Mil Corpos, um filme bizarro, engraçado e que fazia referência à alguns bons clássicos de terror. Seu segundo trabalho foi o elogiado Rejeitados pelo Diabo, que alguns julgam ser continuação de A Casa dos Mil Corpos, outros dizem ser história real. Depois disso Rob fez os dois remakes de Halloween. Foi aí que ele passou a ser odiado por muitos. Há quem diga que ele destruiu a saga. Não sei se foi bem isso. O problema é que Halloween é um dos maiores clássicos de todos, então aí já complica. Outro problema foi o fato do cara ter seu estilo próprio, e ele fez Halloween a sua maneira. Enfim, acho os filmes dele medianos, tendo um carinho pelo primeiro. O que dizer deste?

Faço uma confissão: este foi um dos filmes mais difíceis de chegar à uma nota; muito difícil mesmo. Há tantos erros, mas há tantos acertos. É complicado começar a falar dele! A história "acompanha" Heidi, uma radialista que mistura estilo de rock com reggae (ela tem dreads) e é solitária, vivendo em um pequeno apartamento com seu cachorro. Após ouvir o disco que alguém a envia, estranhas coisas acontecem. Acontece que tudo faz parte de uma maldição de um grupo de bruxas que foram torturadas e queimadas no passado. Bem, será? Enfim, digo sem medo que a produção é muito, mas muito bizarra. Infelizmente, senti falta de sustos (que simplesmente não existem aqui) e de mortes. Como é? Isto mesmo que você leu. Não há aqui mortes comuns nos filmes do Rob Zombie. Outro defeito é a falta de desenvolvimento das personagens. Tudo é raso nesse quesito. A personagem principal, a Heidi, não passa carisma necessário. E isso que curti pra caramba o estilo alternativo dela.

Há outras personagens secundárias, mas nenhuma ganha destaque. A falta de correria e movimento fará a maioria odiar o filme. Mas por outro lado, há muitas características de Rob Zumbie aqui. Começando pela atriz principal: Sheri Moon Zombie. Como alguns bem sabem, esta coroa bonitona é a esposa do diretor. E ela aparece em todos os filmes dele. Já é uma característica dele. Aliás, inclusive ele sempre explora as curvas dela. É engraçado, mas é verdade. Desde striper, até danças eróticas sádicas, Sheri Moon Zombie sempre tem seus dotes femininos explorados pelo marido; que está por trás das câmeras obviamente. Aqui neste filme, logo na primeira cena que ela aparece está nua. Esposas à parte, o estilo quase amador e recursos sombrios típicos de Zumbie estão aqui também. Porém, quem reclamou do estilo de câmera trêmula de Halloween pode ficar sossegado. Finalmente Rob Zombie entrega um bom (na verdade um ótimo) jogo de câmera. Aqui começam os elogios.

Mesmo com nada de sustos ou mortes, o que Zumbie faz é entregar uma obra atmosférica ao extremo. Começando pelo som, na maior parte do tempo não há trilha sonora. Um silencio frio assombra várias cenas. Com seu jogo de câmera, o diretor explora as escuras locações do interior dos locais, como no apartamento que Heidi mora ou na rádio em que trabalha. Quando a câmera passa pelas ruas, a câmera captura bem um ar úmido, ambiente frio e de pouco movimento. É mesmo uma cidadezinha pequena. Fazendo referência ao clássico O Iluminado, a câmera diversas vezes foca em um corredor com uma porta ao fundo. Os papéis de parede velhos, em tom verde desbotado, de alguma forma passa claustrofobia. A câmera foca no nada, enquanto entra lentamente pelo corredor, mostrando o tal papel de parede, e no fim do corredor, a porta do quarto vizinho. São segundos tensos, ao mesmo tempo em que não sabemos o que o diretor quer mostrar. 

As maquiagens são horrendas, bizarras e perturbadoras. Há criaturas demoníacas que são muito estranhas, dignas de filmes trash. Um fator positivo é a crítica à religião. São várias passagens que detonam com a igreja, incluindo uma cena em que o padre tenta se aproveitar da protagonista. Embora a cena não aconteça em si, é de levantar questões. No tal quarto do fim do corredor, há uma cruz, com uma berrante luz vermelha, de dar arrepios. Estranho e tenso, também é preciso pensar em que Zombie quer dizer. Emfim, fica a ideia (algo no qual sempre acreditei) de que há muitas trevas nas religiões. Não quero causar polêmicas aqui e que pessoas religiosas me xinguem nos comentários. Só estou afirmando que a história vem sido escrita por guerras, tragédias e segredos obscuros; e quase sempre a religião está metida no meio. Se há um Deus que é amor, com certeza não está no meio destas trevas. 

Engraçado toda esta discussão que fiz não? Acontece que o filme não tem uma história redonda, com início, meio e fim. O filme é repleto de imagens, mensagens sublineares, referências à clássicos de terror, críticas à igreja, teor psicodélico, bruxaria, satanismo, rituais pagãos, elementos góticos, um bocado de filosofia e referência ao rock pesado, aquele griteiro e com vocalistas mascarados; bem ao estilo de Rob Zumbie nos seus tempos de rock. Há ainda uma presença nojento de nudez das velhas bruxas. E há um parto onde nasce um bebê demoníaco. No fim, fica a ideia de que você acabou de ter uma palestra com Sigmund Freud, na versão satanista!

Não será o melhor terror do ano, mas há chances de ser o mais original, sem dúvidas. Por tantos motivos, será um filme que  a maioria não irá ver, e quem ver possivelmente não gostará. Mas para os fãs do diretor, vem a ser um dos melhores. Com muita atmosfera e cenários berrantes (quase que seguindo o estilo de Suspiria), Os Lordes de Salem é o mais estranho filme do ano até agora. Como eu gosto de produções perversas, góticas e complexas, para mim foi um prato cheio. Existe a impressão de que faltou algo. Mas há também a impressão de o quão bizarro tudo pode ser.

NOTA: 8




Bônus:  Sheri Moon Zombie







Mais fotos e cartazes do filme:




































O Vigilante da Noite

4 comentários :

  1. Muito boa sua crítica, vi o filme somente até a metade, mas depois de ler seu texto, vou terminar de ver, Muito bom seu blog! :)

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  2. Fracamente esse filme é uma porcaria.
    A unica coisa que se salva é a fotografia, a historia inicial é interessante, mas a trama é clichê assim como uma protagonista sem carisma algum sem objetividade nenhuma no filme inteiro.
    O excesso de cenas de impacto visual é apenas pra disfarçar a historia chata e arrastada com cenas bizarras que chegaram a ser engraçadas de tão toscas.

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    1. Olá amigo, ainda acho que este tipo de filme é para poucos, é preciso comprar a ideia que alguns diretores vendem às vezes, algo parecido com os filmes do Lars von Trier (que são muito melhores). Mesmo assim respeitamos todas opiniões, volte sempre e obrigado por comentar :)

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