ESPECIAL OSCAR 2013 - Crítica: AMOR (2012)

"Começa aqui a nossa maratona de críticas dos principais filmes que brilharam no Oscar 2013. Você não vai perder nenhuma... Vai?"


    Um casal, ambos na casa dos oitenta, ambos músicos cultos e aposentados, tem seu amor testado quando ela, Anna, tem um ataque e passa a se tornar fisicamente dependente dele, Georges.
    Amour (o título original desse filme francês) É o filme mais bonito e emocionalmente aquecedor lançado no ano passado. E isso eu não digo sozinho. A maioria dos espectadores e críticos dizem o mesmo.


    Ultimamente eu tenho visto um montão de filmes onde sou obrigado a fazer muito uso do controle remoto adiantando cena aqui e ali, momentos para mim desnecessários que só empobrecem a produção. Isso não aconteceu enquanto eu assistia Amour. E olha que a principal (talvez única) queixa daqueles que não aprovaram o filme inteiramente é quanto aos seus momentos longamente estáticos demais. O diretor opta por mostrar uma ordinária platéia por alguns bons minutos, personagens sozinhos esperando em cômodos por tempo demais. Mas que ninguém se engane... São esses momentos de inquietante monotonia que fazem duas cenas chaves explodir em choque para o espectador, porque são tão poderosas crescendo no meio da calmaria toda, que foram duas cenas que me fizeram levar as mãos à cabeça e exclamar "M*rda, não!"


    Outro motivo além do fortíssimo par de cenas surpresas que não me permitiu fazer uso do controle remoto para adiantar foi a atuação da divina atriz de 86 anos Emmanuelle Riva. Eu só não queria (não podia) perder nenhum minuto em que ela estava na tela. Ela tem toda uma linguagem corporal ao interpretar essa mulher que vai aos poucos perdendo os movimentos de todo o corpo, que muita atriz jovem por aí ainda nem sonha em ter.


Amour recebeu cinco indicações ao Oscar: Filme Estrangeiro (prêmio que levou merecidamente), Filme (o que seria exagero ganhar, já tendo o prêmio da categoria "estrangeira"), Roteiro (com seus diálogos existenciais inspiradores), Diretor (um trabalho competente do já consagrado Michael Haneke) e Atriz (Emmanuelle se tornando a atriz mais velha já indicada). 


    Há algo de tão singelo, cativante e ao mesmo tempo estarrecedor nessa pequena estória que se torna gigante e épica emocionalmente sobre a relação desse comum casal da terceira idade. Eu sempre digo que o pouco, o simples, pode ser muito mais arrebatador do que o pomposamente grandioso. E aqui está o melhor dos exemplos. 


    Não é um festival de efeitos especiais, não é um enredo complexo, não tem quatro horas de duração e nem custou meio bilhão de dólares (custou baixos $9 milhões e arrecadou suficientes $19 milhões mundialmente).  
    ... É amor.

NOTA: 9

TRAILER: (NOS CINEMAS)


"Anne: É linda.
Georges: O quê?
Anne: A vida. Tão longa."  

Mágico de Oz

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