E SE VOCÊ TIVESSE SUPER PODERES? CRÍTICA : PODER SEM LIMITES


Filmes de super heróis estão em alta. Filmes por trás das câmeras também. Que tal juntar os dois? Isso poderia ser apenas um jeito de juntar duas modinhas de Hollywood se não fosse o ótimo roteiro de Poder Sem Limites.

Enredo: esse é um filme de super-herói, criado e contado sob a perspectiva de um garoto de 17 anos, por meio de sua câmera. Todos sonham em ter superpoderes, mas o que acontece quando não se está preparado para lidar com eles? Neste filme, três adolescentes comuns, repentinamente, são capazes de fazer coisas que nunca imaginaram ser possível. No início, eles se divertem, mas quando as pegadinhas tornam-se perigosas, os três amigos terão de lidar com a responsabilidade que virá com estes poderes extraordinários.


Elenco: Michael B. Jordan, Michael Kelly, Alex Russell, Ashley Hinshaw, Anna Wood, Joe Vaz, Matthew Dylan Roberts.



Do ponto de vista crítico, não é um filme perfeito. Há sim falhas de roteiro e algumas  atuações não são tão boas devido ao elenco jovem. Mas o que poderia ser um festival de clichês e mais do mesmo acaba se diferenciando. Não é um típico filme de heróis e poderes. Em vez disso o roteiro se aprofunda no drama juvenil. Afinal o que aconteceria se simples jovens ganhassem poderes? Sairiam lutando contra o mal já de cara? E seus dramas, problemas domésticos, família e amigos? E como sua mente imatura reagiria diante de tanto poder? Desse ponto de vista o filme acaba sendo muito maduro se comparado com outros filmes de heróis.

Se você pudesse, não olharia a roupa íntima das meninas? Não acabaria com os manés da escola ou os vagabundos da sua rua? Não se exibiria com demonstrações extraordinárias? Não usaria seus dons para se destacar? Claro que isso seria egoísmo. Mas não somos todos nós cheios de falhas e defeitos?  Desta maneira nos é apresentado um roteiro enxuto e atual, onde o fator humano é colocado acima da fantasia e ficção.

O destaque vai mesmo para o personagem central. Tímido e solitário, Andrew Detmer tem que conviver com uma mãe doente e com um pai alcoólatra e agressivo. Ele parece viver à sombra de todos, inclusive seu primo Matt e seu amigo Steve. O trio fica exposto a uma fonte de energia desconhecida que eles encontram em um buraco, e essa energia os deixa poderosos. No início movem pequenas coisas, mas logo começam a mover carros e a voar. Eles estão poderosos, mas ainda estão expostos aos problemas da vida. É aí que Andrew se destaca. Perturbado, ele começa a usar seu poder sem ter controle ou limites, desencadeando uma série de tragédias que leva a um final explosivo e surpreendente.


Ao contrário dos filmes de terror que mal mostram as cenas, esse filme aqui utiliza as câmeras com clareza, mostrando quase tudo de maneira muito bem feita. Ao contrário dos outros filmes por trás das câmeras, esse não é um filme baratinho, e traz boas sequências de ação e efeitos especiais. A sequência final é ótima, com direito à muitos carros voando. Mas destaco que o principal no filme é a moral que nos apresenta. O que um jovem problemático faria com tanto poder? A melhor sequência é a que Andrew explode um posto, vai queimado para o hospital e lá seu pai o visita e tem uma conversa bem pesada com ele. O pai coloca a culpa no jovem à tudo de ruim que tem acontecido, fazendo alusão a falta de raciocínio e diálogo que existem entre pais e filhos hoje em dia. Genial!

Com uma forte carga dramática, roteiro maduro, ação um pouco mais violenta que o de costume e um senso de realidade invejável, Poder Sem Limites é uma das grandes surpresas de 2012. Eu não sei se sairia salvando as pessoas ou iria dar a volta ao mundo se eu pudesse voar. E você o que faria? Ainda bem que super poderes não existem, porque a realidade é que a maioria não saberia lidar com tanto poder. Aí sim o mundo iria passar de todos os limites.

NOTA: 8









O Vigilante da Noite

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