Crítica: Tio Drew (2018, de Charles Stone III)


Se você for fã incondicional de basquete, muito provavelmente vai adorar assistir grandes jogadores, ídolos, atuando neste filme, mas se for um mero conhecedor do esporte, ficará entediado, afinal de contas, Tio Drew é um filme que apenas traz o basquete para entreter sem nenhum propósito mais aprofundado e com ele trazendo novamente o estilo beisterol aos cinemas, mesclando esporte e comédia, como já vimos em outras produções até aqui: A Hora da ViradaCom a Bola Toda e por aí vai.

Drax (Lil Rel Howery) é um vendedor de uma loja de artigos esportivos e fã de basquete. Quando não está trabalhando, comanda um time amador de basquete liderado por Casper (Aaron Gordon). Após gastar todas as suas economias para garantir a presença do time no Rucker Classic, torneio urbano de basquete, se vê perdido quando uma sombra do passado, Mookie (Nick Kroll), "rouba" seus atletas semanas antes do torneio. Sem outra alternativa, Drax decide recrutar jogadores pelo bairro até encontrar o Tio Drew, uma lenda no basquete de rua. Ao lado dele, irão juntar uma "velha guarda" e encontrar uma saída para consolidar sua ascensão no esporte amador.


O personagem Tio Drew já vem desde 2012, com o próprio Kyrie Irving o interpretando, em curtas produzidos pela Pepsi. Diferentemente deles, o filme consiste em um roteiro já fechado e vemos a mesma fórmula bastante fadigada de sempre: reunir uma galera das antigas para conseguir um último suspiro de vitória. Dessa premissa, nada inovador se consiste ao longo da trama em um enredo bastante superficial, sem qualquer tipo de preocupação e montagem com a história em si. O que basta aqui é fazer rir, admirar o basquete e ouvir frases de efeito emocional do jogador do Boston Celtics.

O grupo desses atletas é formado por outros grandes jogadores que atuaram na NBA, liga americana de basquete, Chris Webber, Reggie Miller, Nate Robinson, Lisa Leslie e o mais famoso deles e acostumado com as telonas dos cinemas, Shaquille O'Neal, que interpretam Preacher, Lights, Boots, Betty Lou e Big Fella, respectivamente. Eles e Lil Rel até conseguem juntos criar uma boa dinâmica pelas histórias e piadas que engajam essa amizade duradoura dos personagens na trama, brincando com acontecimentos que realmente existiram dentro do basquete a filmes recentes, como Corra!, em que o próprio Lil participou. A química, porém, não ajuda em estabelecer uma essência que mostra grandes desconexões, cortes mal feitos e cenas que deixam o espectador estupefato.


Mesmo assim, Kyrie Irving consegue se destacar por cima de toda maquiagem, excelente por sinal em alguns integrantes do longa, e demonstra um talento além das quadras, até mesmo marcando presença na trilha sonora do filme. O destaque mesmo fica por conta de Chirs Webber, que conseguiu criar um personagem crível para o Reverendo Preacher, até mesmo colocando nas situações que mais precisava ser convincente. O elenco feminino do filme é algo bastante mal trabalhado e desperdiça o talento das atrizes Erica Ash e Tiffany Haddish. Até mesmo a ex-jogadora Lisa Leslie não tem um conceito bem definido dentro da trama, uma bipolaridade extremamente ridícula.


Contudo, Tio Drew consegue atingir o seu real propósito, divertir e brincar com o mundo do basquete, para um filme que não tem grandes pretensões no cinema. O que realmente ficou nítido foi a exposição das marcas Pepsi, que encomendou o filme, e Nike, patrocinadora oficial de Irving, mesmo não sendo mencionadas, aparecerem para reforçar as imagens da empresa. Não deixa de ser um passatempo cômico para quem quer rir e relaxar assistindo algo leve, ainda mais para quem se identifica e vive o basquete dos anos 2000.


Título Original: Uncle Drew

Direção: Charles Stone III

Elenco: Kyrie Irving, Shaquille O'Neal, Lil Rel Howery, Chris Webber, Reggie Miller, Nate Robinson, Lisa Leslie, Nick Kroll, Erica Ash, Tiffany Haddish e J.B Smoove

Sinopse: Tupac Shakur foi um dos nomes mais conhecidos no mundo do rap. Assassinado em 1996, alguns meses antes do rapper Biggie Smalls também vir a falecer, essa dupla viveu em uma época em que as disputas musicais ultrapassavam os palcos. Passados 20 anos, as causas e a possível relação entre as duas mortes continuam sendo um mistério.

TRAILER:


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Fagner Ferreira

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