Crítica: Tudo Bem No Ano Que Vem (1978, de Robert Mulligan)



Soa trágico quando Deus parece fazer duas pessoas perfeitas uma para a outra, mas por algum acaso do destino suas vidas não são traçadas. No caso de Doris e George só parece mesmo, pois eles se encontram por acaso, percebem e decidem assumir a sua louca e incrível química. Mas nem tudo é tão fácil assim, visto que ambos já possuem filhos e um casamento feliz. Como eles resolvem essa situação? Você terá que ver para descobrir. Adultério é algo horrível e nem a mais louca paixão justifica a quebra de lealdade e fidelidade com a pessoa qual fora trocado votos? Sim, sim e sim; mas, pelo menos, aqui nós teremos um filme que retrata o amor da forma mais pura e genuína que você verá, pois teremos um homem e uma mulher que não foram atraídos primeiramente por desejos puramente carnais mas, sim, porque se viram imersos em diálogos que jamais tiveram com outras pessoas, incluindo com seus parceiros. E nós temos que concordar que nem sempre um beijo vale mais do que mil palavras e é muito gostoso sentar com alguém e a conversa ser tão boa que te tira a noção do tempo, né?! Como disse Dori: "Eu não sabia que pensava isso até acabar falando pra você." 

Dori e George encontraram-se por acaso em uma pousada e acabam tomando um café juntos após o jantar, sendo aí o início de uma história que os dois jamais imaginariam que existiria. Resolveram dar uma chance àquele sentimento que nunca haviam sentido, ultrapassando qualquer barreira, por mais alta que fosse, para experimentar daquela nova e perturbadora experiência. Começaram a sua aventura já sabendo que se apaixonariam um pelo outro, mas, mesmo assim, isso ainda não fora empecilho.




Acabar com seus casamentos não era uma opção, e não se verem mais também não era, sendo assim, o casal decidiu que manteria o relacionamento se vendo por um final de semana uma vez ao ano, naquela mesma pousada e dormindo no mesmo quarto. Eles fizeram isso por mais de 25 anos até tomarem uma segunda decisão para dar um "novo" norte aos seus destinos. 

Para brincar com a história e ter um Q a mais, os encontros foram retratados de 5 em 5 anos (1951 - 1956 - 1961 - 1966 - 1971 - 1976), e isso tornou possível a identificação das mudanças e acontecimentos de cada época, que além de estar presente no visual dos personagens, alguns acontecimentos tornavam-se pauta de seus diálogos. E não só isso! Entre um encontro e outro apareciam takes reais em preto e branco mostrando partes dos marcos da história americana.





O filme não se faz tedioso em momento algum, e a decisão de fazê-lo com basicamente dois personagens em um único local foi um grande acerto, pois consegue nos fazer sentir o laço emocional que o casal de personagens têm por aquele quartinho de pousada. E claro, dá para ver, sem fazer qualquer pingo de esforço, a química entre os dois atores, Ellen Burstyn e Alan Alda.




A atuação é um tanto quanto teatral, mas nada exagerado a ponto de trazer toques cômicos para uma história tão sentimental. Os atores, magistralmente, conseguiram conduzir a trama de uma maneira tão impecável, que todo o resto se tornou apenas um adicional super positivo, como a escolha do lugar, a fotografia, o figurino, maquiagem, os cortes, e claro, a trilha sonora, que depois da atuação é a segunda coisa que se sobressaí. 

Tudo Bem No Ano Que Vem consegue trazer um pouco de carisma e ingenuidade para uma situação tão complexa e triste que é o adultério, até porque, o filme traz apenas a versão linda da história, mas ninguém quer ser a esposa ou esposo que está sendo passado para trás, não é mesmo?! Então, sem querer romantizar e defender uma história contornada por essa problemática, mas já defendendo, eu te convido a assistir esse filme antes de tirar conclusões precipitadas sobre essa história em particular. 




Título Original: Same Time, Next Year 

Direção: Robert Mulligan 

Elenco: Ellen Burnstyn, Alan Alda, Cosmo Sardo, Ivan Bonar. 

Sinopse: Embora casados com outras pessoas, o contador George e a dona de casa Doris mantêm um caso por 25 anos e passam um final de semana juntos todo ano. No decorrer desse relacionamento é traçado um perfil das mudanças ocorridas na América desde os anos 50 ao 70.


Trailer:

Bônus (música tema do filme e do casal): 



Obrigada pela leitura, espero que gostem da indicação!

HELEN SANTOS

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