Crítica: Toc Toc (2017, de Vicente Villanueva)



Há exatos 6 anos, no teatro do Shopping Eldorado, era exibida a peça Toc Toc, a que eu tive o prazer de assistir. O que me chamou mais atenção naquela ocasião, é que um tema como transtorno obsessivo compulsivo (TOC), quando trabalhado em forma de comédia, pode constranger ou divertir sem ofender. O que a peça fazia era divertir à beça sem ofender.

Foi então, neste final de semana, procurando o que assistir na Netflix, que me deparei com Toc Toc, a peça adaptada para o cinema. Não tive dúvida para apertar o play. O filme, que conta com a direção de Vicente Villanueva (Nascida para Ganhar, O contrário do Amor) e um excelente elenco, me surpreendeu por não perder a essência do teatro e ainda adicionar elementos importantíssimos na trama.


A premissa da história é bastante simples: seis estranhos com hora marcada para uma consulta com um renomado psiquiatra que pode ajudar no TOC que acompanha cada um deles. Como o Dr. não chega, os estranhos começam uma divertidíssima sessão de terapia em grupo.

A primeira grande sacada da adaptação é aproveitar o recurso cinematográfico. Se em alguns filmes, e para citar temos o recente Um Limite Entre Nós, que parece ser um filme feito num palco do teatro, em Toc Toc, mesmo tendo a maior parte dele em uma ampla sala de espera, o diretor aproveita dos elementos e demais locações que possui para nos introduzir aos personagens e seus TOCs. O que dizer, por exemplo, da cena inicial? Diverte pela cena em si, pelo timming cômico da sempre excelente Rossy de Palma (Abraços Partidos, Madame) e o mais importante: por não parecer algo tão distante de nós (pelo menos até o segundo take... rs). Outra grande virtude do filme está no elenco. Além de Rossy de Palma, temos Oscar Martínez, Paco Léon, Adrián Lastra, Alejandra Jiménez (um verdadeiro achado!), Nuria Herrero e Inma Cuevas.


Se no teatro temos a entonação da voz como um dos principais recursos dos atores, este afiado elenco entende que para nos passar tudo que precisa no cinema precisam trabalhar suas expressões e todo seu gestual. Não teria outra forma de nos colocar a par de TOCs tão diferentes se não fosse desta forma. Temos aquele que precisa voltar para casa várias vezes para checar se não esqueceu nada ligado/aberto, aquele que é viciado em conta, um com síndrome de Tourette, outro que não consegue pisar em linhas, uma com medo invencível de germes e bactérias e outra que precisa repetir tudo que fala.

O mais interessante é que o filme provoca, dentre muitas sensações, a de tentarmos lembrar comportamentos nossos ou de nossos amigos parecidos com os desses personagens. Foi assim quando o vi no teatro e me peguei fazendo a mesma coisa assistindo ao longa.


O resultado de tudo é o melhor possível. Além do filme não ser caricato, ele tem uma sútil mensagem do quão importante é enfrentarmos nossos problemas, bem como termos ajuda para tal.


Título Original: Toc Toc

Diretor: Vicente Villanueva

Elenco: Rossy de Palma, Oscar Martínez, Paco Léon, Adrián Lastra, Alejandra Jiménez, Nuria Herrero e Inma Cuevas.

Sinopse: Seis personagens com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) se reunirão na sala de espera de um psiquiatra, a fim de resolver seus problemas. O psiquiatra nunca vai à terapia e serão eles que terão de chegar às suas próprias conclusões.

Trailer:

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João França

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