Crítica: Eu Só Posso Imaginar (2018, de Andrew Erwin e Jon Erwin)


Se você insiste no preconceito e em ser mente fechada no que tange questões religiosas, provavelmente não deverá seguir adiante com a leitura, porém, faço o apelo para que dê uma chance para Eu Só Posso Imaginar, filme completamente de teor cristão que foge da estrutura de outras obras do mesmo ramo. Aqui, o mais importante é acompanhar a narrativa de redenção do nosso protagonista, que relata todo o processo dramático de como foi lidar com uma grande perda, afinal de contas, não é simplesmente mais uma canção cristã da banda gospel MercyMe, mas, sim, um testemunho que já foi ouvido por milhões de americanos, transformando-a na canção gospel mais ouvida.


Bart Millard (Brody Rose) passou sua infância toda assistindo o adultério do seu pai (Dennis Quaid) em relação à família, mais drasticamente com sua mãe, fato que faz com que ela os deixasse sem pensar no futuro e na compaixão para com o filho. Com o passar do tempo, Bart, agora interpretado por J. Michael Finley, tenta se adequar na vida mais viável para si. Ainda sem uma direção para trilhar seu caminho, se vê preso na dependência de seu pai para tudo, sendo sempre escrachado, até mesmo quando não consegue êxito na única coisa que pode conciliar essa relação positiva: o futebol americano. Após um acidente no percurso, Bart não vê outra saída a não ser entrar para o meio artístico, e é onde encontra sua vocação, a alma para ter a liberdade que sempre almejou. Essa é apenas o gancho de elaboração e envolvimento de nossa história para dar origem à canção gospel.

Logo, o filme começa a apresentar as nuances da conquista particular, ao lado de sua banda MercyMe, enfrentando os desafios e barreiras de espalhar a mensagem que a banda quer, nas noites que os acompanham. O caminho que o roteiro usa é bem perspicaz, apresentando no primeiro ato parte do que sua vida se tornou, dando a sensibilidade na transformação da história. À medida que o longa vai se desenvolvendo, somos envolvidos nas ações do protagonista, torcendo para que ele consiga ter uma luz na sua escuridão. O longa passa longe de ser uma espécie de autoajuda, como outros mencionaram. Aqui, temos uma história de superação, um testemunho de que a Fé pode sim transformar as pessoas e por mais que se tenha tanta, as etapas são cruas e realísticas de que nada será fácil.


Naturalmente, o filme foi feito para tocar profundamente quem o assiste, a fotografia e os longos planos dão o drama necessário para o emocional, mas não é algo fácil de aceitação geral. Por mais que a história nos ajude a compreender a canção, algumas coisas podem deixar o mais leigo espectador se perguntando: o que de tão importante se passa naquele foco? O contexto pode criar suas desconexões, importâncias que deveriam ser mais destacadas.


O elenco principal do filme é o fato mais positivo de toda história, logicamente pela mesma ser o pilar da canção, Finley e Quaid dão um espetáculo com suas atuações. Quaid entrega incrivelmente o seu papel, se doando ao máximo e convence nas ações de pai. Mesmo naquela gangorra de ame ou odeie, a redenção do seu personagem é algo imensurável e difícil de transparecer. Já Finley, é seguro de si, como Bart, passa a emoção que o personagem precisa, traz a carga dramática necessária e o peso de carregar algo nada leve. Brody Rose também tem o seu destaque positivo criando um bom perfil dramático para Bart na sua infeliz infância.


No mais, Eu Só Posso Imaginar consegue passar sua verdadeira mensagem sem nenhuma 'forçação' de barra. Encontrar uma saída na Fé pode sim salvar uma alma pecadora, mesmo que por tão pouco tempo, somos capazes de abrir os olhos e perdoar o próximo, sermos menos ignorantes com o universo. Diferentemente de outras obras cristãs, a história consegue fugir da linha racional e transmuta toda narrativa a um filme compreensivo, que toca profundamente o emocional, o que é exatamente a proposta libertadora da música gospel, que só podemos imaginar que algo é maravilhoso quando se está em paz consigo mesmo.


Título Original: I Can Only Imagine

Direção: Andrew Erwin e Jon Erwin

Elenco: J. Michael Finley, Dennis Quaid, Cloris Leachman, Trace Adkins, Madeline Carrol, Rhoda Griffins, Jason Burkeym, Gianna Simone, Kevin Downes e Brody Rose

Sinopse: Bart Millard (J. Michael Finley) é o vocalista da banda cristã MercyMe e tem um relacionamento conturbado com seu pai, que sempre o tratou de maneira dura e nunca entendeu seu amor pela música. Conseguindo forças através de Deus, Bart resolve então eternizar sua relação em uma canção, "I Can Only Imagine".

TRAILER:

Será que você consegue embarcar nessa jornada emocionante da canção gospel? Comente e não deixe de navegar em nossas redes sociais!





Fagner Ferreira

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