Crítica: O Colecionador (1965, de William Wyler)


O Colecionador é uma adaptação do livro de mesmo nome, de John Fowles, e tamanho fora o sucesso do livro que em apenas dois anos depois tivemos o lançamento do filme. Embora não nos falte séries e filmes com a mesma temática, pode-se arriscar a dizer que a trama desse filme é um tanto quanto única. Aqui temos a história de um dos personagens mais perturbadores da história da literatura e, consequentemente, do cinema.

O filme nos conta a história de Frederick Clegg, um homem que tem sua vida mudada do dia para a noite após ganhar uma enorme quantia em dinheiro na loteria esportiva. Frederick tinha dois hobbies, colecionar borboletas e sustentar seu amor platônico por Miranda Grey, uma bela jovem estudante de artes. Assim como perseguia suas borboletas até conseguir capturá-las, perseguiu a moça por tanto tempo a ponto de saber tudo sobre ela. Quando Frederick se vê dono de tanto dinheiro, imediatamente ele começa a achar que pode ter e fazer tudo que sempre quis, pois tinha um pensamento de que dinheiro era poder e quem tinha poder podia fazer o que bem pretendesse.


Sendo assim, logo ele se viu extasiado pela ideia de completar sua coleção com a criatura mais linda e até então, impossível de se ter: Miranda. Mas, antes de sequestrá-la, ele estudou meticulosamente como faria o sequestro e, claro, não trancafiaria sua amada em qualquer porão, era muito amoroso e cuidadoso com suas presas. Frederick compra uma casa muito antiga e isolada da civilização, e no porão dessa casa faz o calabouço de ouro para sua "hospede", como ele referia-se a ela. Fred encheu esse calabouço com coisas que Miranda gostava, para que ela não se sentisse entediada e não pensasse que ele não se importava com ela. 

Embora Frederick fosse a pessoa que poderia devolver a liberdade de Miranda, e esta fosse a unica coisa que ela queria, jamais conseguiria tê-la; e mesmo tendo uma certa expectativa que agindo ou não agindo de determinada forma fosse contribuir para a sua liberdade, no fundo ela sabia que não a teria, por isso ela ganhava as melhores coisas de Fred; roupas, comidas, livros, telas, pinturas.... e tudo mais que quisesse!



Tendo esse cenário, percebemos o quão doentio é o nosso personagem, que sempre se intitulou como uma cara diferente dos demais, pois ele sim se importaria realmente com sua amada, queria desesperadamente amar e se sentir amado, queria conversar e conhecer cada partezinha de sua donzela; obviamente escolheu a via mais errada para brincar de príncipe encantando. Mesmo fazendo todas as vontades de Miranda e nunca faltando-lhe com o respeito, ela fingia ser compreensiva com o lado de bom moço do rapaz, mas no fundo estava aterrorizada, isso explica suas várias tentativas de fuga.


Partindo dessa premissa, ao dar play adentramos na mente doentia de Fred e vivemos todas as angústias e sofrimento junto de Miranda. A história é completamente envolvente e foge dos clichês do qual já estamos cansados, além do final completamente surpreendente, qual releva a personalidade do personagem.


Não desanime de assistir o filme só por ser antigo, pois temos um show de atuação de Terence e Samantha, que interpretam nossos personagens principais. Fora as locações, que foram super fiéis ao livro, para não dizer iguais. A brincadeira de harmonizar a fotografia com o ambiente escuro deu super certo, ajudou a valorizar e destacar a paleta de cores escuras propositalmente para criar um clima frio e sombrio.


Levando em consideração que é uma adaptação e tenha até sido indicado ao Oscar nessa categoria, sente-se falta de alguns detalhes importantes do livro, principalmente no que tange a não-romantização dessa problemática, mas analisando em um contexto geral, foi boa (não ótima) a adaptação para que ficasse interessante para o cinema, decepcionando, portanto, algumas pessoas do mundo literário. Ademais, é um clássico que merece ser visto (e lido!).


Título Original: The Collector


Direção: William Wyler

Elenco: Samantha Eggar, Terence Stamp, Allyson Ames, David Haviland, Gordon Barclay, Kenneth More, Maurice Dallimore, Mona Washbourne, William Bickley

Sinopse: Freddy, um rapaz solitário, colecionador de borboletas, em sua obsessão por uma mulher, aprisiona-a no porão de sua casa. Ele quer criar um vínculo afetivo com a moça, demonstrando seu amor por ela e querendo ser correspondido. Mas só o sequestro em si será o primeiro de uma série de obstáculos à recuprocidade desejada por Freddy.

Trailer:

Galeria de Imagens:











HELEN SANTOS

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