Crítica: Everything Sucks! Série da Netflix mata saudade dos anos 90!


Você é daqueles que sentem saudades do barulhinho que a internet discada fazia? Lembra como era difícil encontrar a pessoa que gostava, porque tinha que ligar para o telefone fixo dela? E o quanto era complicado encontrar algo em uma enciclopédia?


Todo este saudosismo que encontramos nos anos 90, observamos de sobra em Everything Sucks! da Netflix, aliás, desde o primeiro momento em que somos apresentados pela série somos bombardeados por inúmeros gatilhos mentais que nos remetem à essa época. Não que seja algo ruim, mas sem necessidade real de tantos elementos que querem nos convencer que assistiremos à uma série do tipo Strange Things.



Uma coisa que faz muito sentido na trama é seu título, Everything Sucks! (Tudo é uma Merda) visto que, como aquela época era tão orgânica e tão diferente da tecnologia que temos hoje, além da própria adolescência, onde tudo acontece, estamos confusos, nos descobrindo, onde tudo parece um saco! O nome da escola: Boring (Chato), também faz todo o sentido do mundo no contexto.

Como sempre, quando a série ainda está sendo explorada e nova (pelo menos enquanto escrevo este artigo) tentarei repassar o mínimo de spoilers possíveis, mas um cá outro acolá poderão existir, então, fiquem avisados!


 

A estória se dá em torno do protagonista Luke (Jahi Di’Allo Winston), e sua paixão pela filha do diretor, Kate (Peyton Kennedy). Luke e seus amigos nerds resolvem gravar um filme experimental ao lado de seus amigos e inimigos(!) da escola. No meio de toda esta bagunça Luke se depara no meio de um triângulo amoroso onde sua amada está se descobrindo apaixonada por outra garota.

Até aí tudo bem, temos uma dramédia (drama+comédia) com um fundo escolar bobinho (como aconteciam nos filmes dos anos 90), com um tema importante sobre a descoberta da sexualidade. Não que o desenvolvimento não seja interessante, porque é, e a série também tem um desenrolar gostoso, mas falta identificação de que público ela pretende atingir.



Uma hora a temática é saudosista, na outra é atual, e em um terceiro momento é só recreativa. A impressão que eu tive é que estava assistindo uma série ambientada nos anos 90, porém em um mundo idealizado, perfeito, politicamente correto, que nunca existiu.

Convenhamos, esta época foi uma das que mais tiveram bullying, e se houvesse algum tipo de preconceito com raça, religião e opção sexual com certeza ela existiria de forma exacerbada. Além de que, ter coragem para se assumir naquela época era uma coisa extremamente conturbada. (Faltou explorar o tema?).



Parando para pensar, até tecnologia era difícil, produção de filmes era algo caro, como eles estavam produzindo um filme com uma câmera que ia de um lado para o outro sem supervisão? Aliás estou intrigada como eles conseguiram editar um vídeo com uma super facilidade(?).

O próprio diretor Ken Messner (Patch Darragh), viúvo, pai solteiro, legal, super compreensivo e nada ciumento (nada parecido com o retrato da época), aliás, joguem pedras, mas eu amei a atuação de Patch, e algumas reações singelas e reais que nos remeteram realmente para aquela época (destaque para as ligações para a secretária eletrônica diversas vezes, só para ouvir a voz da amada).



O elenco, apesar de demonstrar personagens irritantemente caricatos, como se tivéssemos assistindo à um episódio de Glee, não é de todo ruim. (Devemos lembrar também que esta época em filmes os personagens eram caricatos. Talvez uma referência aos filmes.

O próprio Luke (Jahi Di’Allo Winston) desenvolve bem o conteúdo, e Kate (Peyton Kennedy) e sua amiga Emaline (Sydney Sweeney) são bem resolvidas em suas personagens. Aliás, só eu fiquei impressionada com a Kate e sua semelhança com Dustin em Strange Things?

A fotografia, apesar de retratar a década, não tem muita novidade, mas a trilha sonora, meus caros colegas, é um show à parte. E dá-lhe direitos autorais!



Wonderwall” e “Don’t Look Back in Anger”, do Oasis; “Breakfast At Tiffany’s”, do Deep Blue Something e “Take It Like A Man”, do The Offspring, são algumas das músicas que com certeza, se você viveu nesta época, lembrará de ficar em frente a MTV para ver se elas tocavam. E se tocavam, meu amigo, o momento era mágico, já que não tínhamos a facilidade em escutar nossa musica favorita a qualquer hora.

Em suma, vale a pena assistir sem compromisso, como uma sessão da tarde; é leve, é divertida, é de fazer você lembrar dos anos 90, fará você dar umas risadas. Não espere muita profundidade, mas confesso que estou aguardando a continuação para saber como está série vai se desenrolar.



Trailer:


E você, já assistiu? Curtiu a série? Relembrou dos anos 90? Conte pra gente nos comentários e não esqueça de curtir e compartilhar com os amigos! 


@LillyDzura

Criativa, Cinéfila, Curiosa, acredita que os filmes influenciam em sua vida como lições que podem ser aprendidas sem que aquilo tenha acontecido em sua vida. Acha que toda história tem dois lados e que sempre há alguma coisa de bom para ser aprendido no que deu errado.

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