Crítica: Namorados Para Sempre (2010, de Derek Cianfrance)



Sabe aquele filme que a gente vê no começo da adolescência e não entende muito bem? Aí depois de uns bons anos, assistimos novamente e percebemos suas qualidades? Namorados Para Sempre é esse filme. Qualquer pessoa que tenha passado por um relacionamento mais longo vai se identificar com o longa, que tem uma química perfeita entre roteiro, elenco, direção, trilha sonora e fotografia.


Cindy e Dean são casados e tem uma filha pequena, o casamento anda em crise e os dois são infelizes, em uma tentativa de reacender o amor, Dean leva Cindy para um motel. Entre idas e vindas no presente e no passado do casal, o filme explora o amor, a paixão e a dor dos dois.

Desde pequenos, tudo compactua para que tenhamos uma visão florida do amor e do casamento, tanto as religiões mais tradicionais, quanto os filmes, novelas e livros, ajudam a construir uma ideia completamente irreal do que são relacionamentos e do que é o casamento. Com isso, todo mundo que tem um primeiro namoro acaba se decepcionando um pouco com a realidade do amor, que muitas vezes traz a dor na mesma proporção da paixão e dos sentimentos bons. Derek Cianfrance traz uma visão realista do amor, com sua direção assertiva e seu roteiro impecável.


Derek Cianfrance opta por mostrar a vida do casal quando há um desgaste do casamento e logo no começo, quando se apaixonam, deixando em aberto o que aconteceu durante os anos que eles ficaram casados. Cabe ao telespectador pensar quais são as razões para aqueles namorados apaixonados e encantadores se transformarem em adultos distantes e apáticos.


Usando uma montagem perfeita, o filme se divide os flashbacks e os dias atuais sem deixar a história esfriar. Ao optar por essa narrativa não linear, os dois extremos ficam visíveis, amor e dor andam juntos e não adianta tentar mascarar isso. O roteiro é extremamente realista, que desconstrói todos os mitos do amor, mostrando por meio de diálogos excelentes e sinceros, a vida real de um casal que vai da paixão inicial, ao amor que um dia termina.

Derek usa todos os elementos técnicos a seu favor, a trilha belíssima de Grizzly Bear, as lentes trêmulas, sem muito foco e os tons frios da fotografia excelente de Andrij Parehk, mas o que dá vida mesmo em Blue Valentine é o casal de protagonistas. Michelle Williams e Ryan Gosling são incríveis juntos, a química que eles tem é fora do comum, arrisco a dizer que foi um dos melhores casais do cinema nos últimos anos. Eles fazem o filme funcionar em todos os sentidos, tanto no começo do namoro, onde a paixão que um sente pelo outro é nítida, quanto no casamento, onde os dois demonstram sinais de cansaço.


Michelle Williams mereceu sua indicação ao Oscar, sua performance é cheia de nuances e algumas explosões, mas o que há de mais precioso está nas suas expressões na fase de desgaste do relacionamento, é notório o sofrimento que ela está passando, é visível em seus olhos uma Cindy cansada. Ryan Gosling sempre esbanja carisma, mas aqui ele entrega uma performance que vai um pouco além disso. Mais novo, realmente o carisma e o charme prevalecem, mas ele tem uma cena no final do filme que é excelente, ele é um ótimo ator e merecia mais reconhecimento por essa performance (Se for comparar com a performance dele em La La Land então).


Namorados Para Sempre gera um certo desconforto, já que traz um realismo para o amor que não estamos acostumados a ver, mas não se engane, se você já teve um relacionamento mais sério, vai se identificar de cara com a dor e a paixão que o amor traz. Palmas para o roteiro e para as atuações, que são de uma entrega fora do comum.



Título Original: Blue Valentine

Direção: Derek Cianfrance

Elenco: Michelle Williams, Ryan Gosling, Faith Wladyka, Marshall Johnson, John Doman, Mike Vogel, Jen Jones, Ben Shenkman e Maryann Plunkett.

Sinopse: Um casal de classe baixa tenta reacender a chama de seu casamento durante uma viagem de fim de semana. Apesar de ainda serem jovens, os dois já estão marcados pela vida difícil que levam juntos e pelas experiências que tiveram no passado.

                                             Trailer:



Yago Tanaka

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