Crítica: A Casa Torta (2017, Giles Paquet-Brenner)



Agatha Christie dispensa apresentações, sendo referência quando o assunto é ficção policial e, para nossa sorte, mais uma adaptação chega ao cinema, A Casa Torta, nome homônimo do livro, conta a história do assassinato de um milionário e de uma família totalmente disfuncional. Curiosamente não é investigado pelo detetive Poirot, mas sim pelo jovem detetive Charles Hayword (Max Irons), que é contratado pela neta do falecido, que não acredita que tenha sido um acidente. Sophia (Stefanie Martini) inclusive parece ser a mais sensata da família. Que diga-se de passagem, conta com um grande elenco, como: Gillian Anderson, quase irreconhecível, Terence Stamp, Amanda Abbington, Christina Hendricks e muitos outros.


Uma grande teia é tecida, quando Charles começa a conhecer um por um dos moradores da casa, onde todos, absolutamente todos, ganhariam com a morte do patriarca. Inclusive, todos os familiares teriam motivos mais que justificáveis para a morte do mesmo, o que acaba virando um grande quebra-cabeças para o detetive, e para nós, tentarmos desvendar. Diria que a construção dos personagens e das cenas em si, são geniais, pois transmitem nada mais do que desprezo e apatia, apesar do clichê em suas histórias, onde um detetive acaba por desvendar um caso onde nem mesmo a polícia consegue, tudo funciona muito bem. Os diálogos inclusive, são um presente a parte, poder ver todo o elenco reunido discutindo entre si quem é o mais desprezível ou culpável pelo assassinato, foi uma das melhores cenas do filme, sem dúvida nenhuma.
  

Porém, diria que o grande ás do filme está nas mãos de Gleen Close, Lady Edith, consegue ser um personagem amável, simpático e chama todas as atenções em cena, totalmente fora dos padrões apresentados até então, onde só se via ganância, raiva, ódio. Como se a família tivesse sido gerada apenas para continuar um negócio. Boa parte dessa raiva dos personagens foi alimentada pelo próprio defunto, que era visto como uma má pessoa, controladora e mesquinha, o que por fim, acabou ajudando a destruir a si mesmo.


O cenário é maravilhoso, uma mansão que mais parece um castelo, que é utilizado para dar uma sensação de abandono por certas vezes, já que nenhum personagem realmente é feliz. À noite, utiliza-se a cor vermelha, nada discreta, para criar sombras sobre a mansão, como se o próprio mal estivesse a espreita. Nem mesmo os mais jovens da família escapam da proeminente sensação de descaso e ódio. As cenas sobrepostas, montadas intencionalmente para criar um clima de mistério e tentar confundir o telespectador com várias informações, funcionam até determinado ponto. Conforme o filme se arrasta para o final, fica nítido que uma pessoa seria capaz de decifrar o enigma, e não estou falando somente do detetive Charles.


De certa forma o filme nos faz refletir sobre até que ponto viver em um ambiente nocivo nos modifica e modifica as pessoas ao nosso redor. Se o assassino (a), tivesse a oportunidade de estar em uma família normal, ele (a) ainda teria feito as mesmas escolhas? Até que ponto o ambiente que crescemos é culpado por moldar nosso caráter e nossas ações? O filme nos leva à lugares mais obscuros da mente humana, onde tudo que esses personagens vivenciaram se resume a perdas, tanto pessoais como psicológicas. Sem, aparentemente, nunca serem verdadeiramente amados.


A Casa Torta é um ótimo filme que precisa ser apreciado em seus mínimos detalhes. Aproveite cada cena, cada diálogo e absorva tudo o que puder dos personagens, que entregam grandes atuações em seus papeis. O filme todo é tenso, de deixar os músculos contraídos e o ar preso, esperando a qualquer momento que o assassino saia de trás da porta. O final é no mínimo chocante e um pouco perturbador. Ao se analisar toda a carga dramática onde esses personagens vivem e foram criados, cheguei a conclusão de que, não sei se o assassino é mesmo culpado de seus atos ou se o Eustace Leonidas fez por merecer. Se você gosta de um bom mistério, não deixe de assistir.


Título Original: Crooked House

Direção: Giles Paquet-Brenner

Elenco: Gillian Anderson, Terence Stamp, Amanda Abbington, Christina Hendricks, Stefanie Martini, Max Irons, Glenn Close

Sinopse: As circunstâncias suspeitas em torno da morte de um patriarca idoso são investigadas pelo detetive particular Charles Hayward, que deve encontrar o assassino antes de Scotland Yard intervir e expor segredos obscuros de família.

Trailer:


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Natália Vieira

Gosto de filmes e sou viciada em séries e música boa. Não tem muito o que dizer depois disso.

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