Crítica: As Sufragistas (2015, de Sarah Gavron)



Não entender que nós, mulheres, necessitamos dos mesmos direitos que os homens pelo simples fato de todos sermos pessoas e capazes, é uma tamanha ignorância. Por décadas nunca foi dado ouvidos aos nossos protestos pacíficos em prol de nossos direitos, então, começamos a lutar. "Nós quebramos janelas, incendiamos coisas, pois a guerra é a única língua que os homens entendem". Pena que para nós, os berros e coisas quebradas nos taxaram como desequilibradas e mentalmente incapazes. 

Metade da população não pode se resumir a ser mãe, esposa, cuidar da casa ou serem limitadas a trabalhos quais os homens acreditem ser apropriados para nós, pois estas devem ser escolhas somente nossas, e de mais ninguém. Já diziam as sufragistas: “Se você quer que eu respeite a lei, faça a lei respeitável”. Hoje, a luta que seguimos - além do combate diário ao machismo - é que essas leis que foram conquistadas, sejam verdadeiramente respeitadas e cumpridas. 

Chega de sermos ridicularizadas, agredidas e ignoradas. 

"Preferimos ser rebeldes do que escravas". 

Parte do elenco vestindo a camisa com a descrição da frase acima.
Com essa pequena introdução querendo dizer que nós, mulheres, cansamos de todas as intolerâncias que os homens nos fizeram e fazem passar, além de informar que à luta feminina pela igualdade está cada vez maior, bem como a sororidade entre as mulheres, segue a crítica de um filme biográfico que relata à conquista que tivemos em relação ao sufrágio feminino (direito ao voto). 


O filme já começa com citações pesadas, para não dizer machistas, mas ao longo dele somos contagiados e energizados pela força dessas mulheres dando início a luta do movimento feminista. Arduamente lutaram pela igualdade e liberdade, mais especificamente pelo direito à participação na vida política e por leis que promovessem uma justiça equânime, custando o que custasse. 


Temos um elenco de peso retratando essa história na tela no cinema, a começar pela Meryl Streep (O Diabo Veste Prada, Mamma Mia!, Caminhos da Floresta), que acreditamos ter sido colocada no filme para ter peso, pois pouco aparece, mas, ainda assim, nos poucos minutos em que nos agracia com sua ilustre presença, não deixa de ser magnífica nem só por 1 segundo. Temos Carey Mulligan (O Grande Gatsby, Drive, Educação) interpretando Maud, nossa protagonista, que fez jus ao papel para o qual foi escalada. Conseguiu com maestria dar corpo, força e vida a esse papel a ponto de não conseguirmos imaginar outra atriz em seu lugar; e no mundo cinematográfico este é um feito e tanto! Não podendo deixar de mencionar a nossa eterna Bellatrix, Helena Bonham Carter (Os Miseráveis, Clube da Luta, Harry Potter), dando vida a forte personagem Edith New. Helena, assim como Carey, tem um talento tão poderoso em tornar-se unica em um papel, fazendo com que não consigamos imaginar outrem em seus lugares. Não que Meryl Streep não seja tão talentosa quanto, quem seríamos nós para questionar o trabalho desse ícone do cinema, mas é que aparece tão pouco que poderia ter sido substituída. Além destas, todas as outras atrizes, e atores também, foram excelentes; todos conseguiram passar a emoção, força, tristeza que estar numa situação com tanta opressão acarreta, bem como conseguiram fazer papéis opressores com muita veracidade. Em suma, conseguiram retratar a história na tela e isso foi lindo!



No cinema, o ponto alto de um filme biográfico não é só o roteiro propriamente dito, obviamente que seguir uma ordem na história e saber contá-la de forma verossímil é de suma importância, e, diga-se de passagem, isso aconteceu nesse filme; mas, o mais importante, é conseguir um elenco que fizesse jus a toda carga, força e importância dessa história, qual começou no início do século passado, e isso nós também já sabemos que teve. Em todo o filme, existe apenas uma coisa que pode ter chateado um pouco as mulheres (não sei quanto aos homens), que é o seu tempo de duração; 106 minutos pode ser muito pouco para quem tem sede de ver e conhecer sua história, afinal, que mulher ficaria cansada de ver suas próprias lutas e conquistas?


Embora seja um filme de 2015, nunca será antigo demais para indica-lo, devido este retratar um movimento que não perde sua importância e não deixou - infelizmente - de ser atual. 
A luta continua.


Título Original: Suffragette

Direção: Sarah Gavron

Elenco: Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Meryl Streep, Adam Nagaitis, Adrian Schiller, Amanda Lawrence, Ancuta Breaban, Annabelle Dowler, Anne-Marie Duff, Ben Whishaw, Brendan Gleeson, Clive Wood, Drew Edwards, Finbar Lynch, Geoff Bell, Hugh O'Brien, Lee Nicholas Harris, Lorraine Stanley, Matt Blair, Morgan Watkins, Natalie Press, Nick Hendrix, Pamela Betsy Cooper, Pete Meads, Romola Garai, Samuel West, Sarah Finigan

Sinopse: O início da luta do movimento feminista e os métodos incomuns de batalha. Mulheres que enfrentaram seus limites pela causa e desafiaram o Estado extremamente opressor. Baseado em fatos reais.


Trailer:



Galeria de Imagens:









Espero que tenha gostado da crítica/indicação! 
=)

HELEN SANTOS

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