Crítica: A Noiva (2017, de Svyatoslav Podgayevskiy)


É sempre bem vindo termos opções de cinemas diversificados, de culturas diferentes, conhecer suas histórias e relatos que estão prontos para serem transmitidos ao público. Percebemos que mudanças tendem a ocorrer e com elas, algumas diferenças sejam notórias tanto para o positivo, quanto para o negativo. De fato, a Rússia chega ao Brasil com seu mais novo filme, A Noiva, do diretor Svyatoslav Podgayevskiy. Antes, tivemos uma espécie de Os Vingadores russo, Os Guardiões, em cartaz nos cinemas nacionais. Tudo que é novo requer bastante impacto, tentar agradar, porém a produção de Nevesta, nome original do longa, consegue ter uma história peculiar, diferente dos nossos costumes, por sinal. Não é sempre que vemos mortos sendo fotografados como se fossem recordações, em uma Polaroid, por exemplo. Com tudo, esse processo ainda precisa ser árduo, trabalho mais minucioso e ter a atenção do público, sem ter uma história clichê e entediante.

A Noiva chegou em um momento que o terror/suspense tenta se revitalizar ou renovar suas histórias, casos de Mãe!, It - A Coisa e Corra!, e deixar questionável o raciocínio de entendimento. O longa russo até consegue ter sua ideia original. A premissa de se basear em fatos reais consegue atrair público, todo o marketing feito do filme (falando do trailer) é bastante rico nos aspectos do terror e te deixa com a vontade de querer sim, tomar sustos a todo momento. Isso foi em vão. De imediato, conhecemos todo o teor e prólogo que o filme propunha. No século XIX, era costume russo fotografar pessoas mortas e guardar o negativo, pois acreditava na cresça de aprisionamento da alma sobre ela. Logo presenciamos algo mais 'sinistro', quando o fotógrafo Barin vai mais além e tenta 'ressuscitar' sua querida esposa, através um ritual, que, no fim das contas, acaba não dando o resultado esperado.


Com toda está introdução, demos um salto muito atemporal, do século XIX aos dias atuais. Nada da tal lenda russa é mais argumentada na trama toda, nos sentimos leigos em não ter mais conteúdos sobre, um dos defeitos que o roteiro nos mostra. Assim, somos apresentados a universitária Nastya (Victoria Agalakova) e seu namorado Vanya (Vyacheslav Chepurchenko), na verdade, recém casados. O casal está indo visitar parentes do rapaz, e logo percebemos que é a mesma casa que foi apresentada de início. Para a surpresa, ou não, Vanya é bisneto do fotógrafo.


Todo o desenrolar se passa dentro da casa, e é a partir desse ponto que mais uma vez, o roteiro apresenta seus buracos. A narrativa não empolga que assisti. É sabido que Nastya terá futuramente pertubações dentro da casa, ainda mais quando todos os parentes da casa a olham de maneira enigmática. Nada de novo é introduzido neste notório gênero de suspense. Nem mesmo a ideia do diretor de tentar impor inovações, com as visões duplicadas de Nastya, pela própria, consegue salvar a mediocridade do filme.

O que se pode tirar de bom neste trabalho, é a parte de fotografia. Muitas cenas estão devidamente interessante, bem desenvolvidas, ao ponto de gerar todo um clímax para as viradas, dando um ar de real suspense. Outro ponto negativo não tem a ver com o filme em si, mas sim, sua dublagem. Já adianto que este filme possa ser ainda pior, assistindo legendando e dublado pelos americanos, que ocultam as performances dos atores, tirando toda a realidade da cena. Exaltemos nossos dubladores, neste quesito, para aqueles que não curtem.


Podemos concluir que, os russos são esforçados, tentam produzir algo que tenha o seu toque de originalidade, independente de como isso será realizado. O ponto a ser questionado é, será que teremos trabalhos melhores que esses apresentados, no cinema nacional? Para mim, todo tipo de tentativa de evolução é válida e esperamos ter bons filmes sim, com bons roteiros, produções que possam atingir um nível apresentável, em conteúdo de premissa, sem deixar 'cair a peteca' nos buracos de roteiro. A Noiva podia até ter tido um resultado satisfatório, caberia ter mais a ciência de caprichos para a trama e tentar não banalizar o terror e deixar os gritos e sustos dominarem de forma bem chula, todo o filme.


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Título Original: Nevesta

Direção: Svyatoslav Podgayevskiy

Elenco: Vyacheslav Chepurchenko, Aleksandra Rebenok, Igor Khripunov

Sinopse: Nastya (Victoria Agalakova) é uma jovem mulher que viaja com seu futuro marido para a casa da família dele. Logo após chegar, ela percebe que a visita pode ter sido um erro terrível. Rodeada por pessoas estranhas, ela passa a ter visões horríveis à medida que a família do seu futuro esposo a prepara para uma tradicional cerimônia de casamento eslava.

Trailer:



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Fagner Ferreira

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