Crítica: Bokeh (2017, de Geoffrey Orthwein e Andrew Sullivan)



Até que ponto elementos artísticos ou técnicos importam em um filme? Até que ponto a trilha sonora ou a fotografia são preponderantes para te fazer ficar e mergulhar na história até o final? A resposta nunca é uma só, mas no caso de Bokeh, não vale a pena ficar pelos elementos mais artísticos, já que o roteiro é vazio.

Em um belo dia nas férias de um jovem casal apaixonado, toda a população do Universo some, sem deixar pistas do que aconteceu e se um dia irão voltar. Com essa premissa interessante, Bokeh prometia ser um filme bom e fora do convencional, mas isso não aconteceu.




O grande problema do filme é o roteiro escrito pelos diretores Geoffrey Orthwein e Andrew Sullivan. Eles escolhem seguir caminhos fáceis, não se aprofundam em nenhum tema importante, não dão profundidade nenhuma para os personagens principais e olha que só são dois. Em um determinado momento, é mostrada uma certa instabilidade da Jenai e, ali, parecia que iam entrar mais no tema da depressão e o filme quase engrena, mas isso é deixado de lado e só tocam no assunto de novo no fim do filme.



Eu havia dito há um tempo atrás, que O Regresso se apoiava em sua fotografia, mas Bokeh faz isso descaradamente, sem motivo algum. As paisagens, que são belíssimas, são usadas para preencher o vazio que existe no roteiro, ainda que o diretor de fotografia faça um ótimo trabalho, fica a impressão de que os questionamentos que são feitos a partir dos longos planos contemplativos, que são rasos e não levam a lugar nenhum. Visto por esse ponto estético, Bokeh tem um frasco lindo, mas o cheiro que tem dentro desse frasco, ah, é bem podre.



A trilha sonora também é bonita, por um momento você vai se pegar contemplando as paisagens e a beleza exótica de Maika Monroe, mas não se engane, não há muito o que se admirar.



Maika Monroe é uma boa atriz, mas tem que tirar leite de pedra, seu momento final é bonito e ela dá conta do recado, mas além de ter que contracenar com um ator sem talento nenhum, a química entre os dois é zero. Matt O'Leary não consegue se sair bem em cena nenhuma, no terceiro ato do filme, é exigido um pouco mais de sua carga dramática, mas ele não consegue fazer nada direito. Falta carisma, química com a Monroe e carga dramática. Em um filme sem personagens, a empatia com os dois protagonistas é essencial e isso infelizmente não acontece aqui.



A premissa é interessante e dá abertura para seguir vários caminhos diferentes e intrigantes, mas Bokeh é covarde e não faz críticas profundas a nenhum problema social relevante. Quiseram entregar a cereja antes de ter o bolo pronto e mesmo que os últimos minutos sejam bons, todo o restante já tinha sido péssimo.



Título Original: Bokeh

Direção: Geoffrey Orthwein e Andrew Sullivan

Elenco: Maika Monroe, Matt O'Leary, Arnar Jónsson e Gunnar Helgason

Sinopse: Em um refúgio romântico na Islândia, um jovem casal americano acorda numa manhã e descobre que as pessoas na terra desapareceram. Sua luta para sobreviver e entender o que está acontecendo no mundo começa.


                              Trailer:





Yago Tanaka

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