Crítica: Feito na América (2017, de Doug Liman)



Existem várias histórias  inusitadas que parecem ter sido escritas especialmente para o cinema, mas que realmente ocorreram ao longo da história. Em uma conversa  entre executivos da Universal, a fim de buscarem alguma história digna de produção cinematográfica, nada de importante surgiu, até o então desconhecido roteirista Gary Spinelli, comentar sobre um conceito que estava trabalhando sobre escândalos da CIA, depois de ter visto Argo, o que despertou o interesse do produtor Doug Davidson. Ambos então partiram para pesquisa de personagens inusitados na história da agência secreta americana e encontraram nada mais nada menos que Barry Seal, um sujeito fascinante com um história mais ainda. 

Pesquisa vai e vem, e a história de Barry, um piloto de aviões comerciais que esteve envolvido como agente da CIA e ao mesmo tempo como servente do Cartel de Medellín em meados dos anos 80, foi parar nas mãos do diretor Doug Liman ( Jumper ) e do astro Tom Cruise, resultando na nova parceria entre os dois, que trabalharam juntos em No Limite do Amanhã, com a produção Feito na América.



O filme, que se passa no final da década de 70 até meados dos anos 80, conta a história do vivente e confiante Barry Seal, piloto americano de uma companhia aérea que além do posto, realiza pequenos contrabandos de charutos cubanos. Mostrando-se entediado com seu ofício, surge uma oportunidade que mudaria sua vida e de sua esposa, quando o agente da CIA Monty Schafer o aborda com uma proposta perfeita para o piloto entendiado: sobrevoar bases de guerrilheiros comunistas em plena América Central a fim de se fotografá-las e repassar ao governo. 

Seal aceita a proposta e daí em diante, em seus sobrevoos sobre a América Latina, acaba conhecendo ninguém menos que Pablo Escobar, traficante mais poderoso da Colômbia naquela época. Nisso, recebe outra proposta para animar ainda mais sua vida, transportar cocaína diretamente para os EUA, em troca de um pagamento milionário. Seal se torna então um agente duplo, trabalhando como agente da CIA e traficante de drogas internacional, sem levantar suspeitas, e enriquecendo bastante. O desenrolar da história traz as consequências e reviravoltas cada vez mais bizarras desse envolvimento.


Feito na América é uma produção um tanto que surpreendente, logo no começo vemos os logos dos estúdios inseridos na história, com uma vibe oitentista, mostrando que a época do filme é bastante importante para os acontecimentos que serão retratados, já que com os aparatos tecnológicos de hoje, informações 24 horas por dia e um sistema aéreo demasiadamente burocrático, as ações de Barry seriam impossíveis. 

Vários planos de voo são exibidos, salientando que a aviação é um dos pontos principais do filme. Vemos aqui um filme de ascensão e derrocada de um personagem, como em Os Bons Companheiros, que influenciou bastante o roteirista na criação deste, Cassino, O Lobo de Wall Street, O Senhor das Armas, entre outros. Com diversas cenas "congeladas", referência direta a Os Bons Companheiros, o filme tem um ritmo ágil, com uma narração em off do personagem principal explicando e orientando o espectador, e uma trama que percorre vários anos, sem se tornar confusa. Presenciamos tanto os acontecimentos que fizeram com que Seal se envolvesse com a CIA quanto com o Cartel de Medelín, com tomadas aéreas em inúmeras localidades dos EUA e da América Central e do Sul. 

Tom Cruise está pleno e confortável no papel de Barry. O papel parece ter sido feito especialmente para ele. Com seu jeito canastrão e aventureiro faz com que todas as atitudes de Barry tornem- se, se não menos dignas, ao menos verossímeis. Aqui Cruise, como poucas vezes visto antes, está descaracterizado daquela áurea de herói decente e honesto dos filmes de ação a quais estamos acostumados, trocando por uma mais patife do que nunca, soltando palavrões a toda hora, e agindo com uma esperteza e malandragem dignas de um Jordan Belfort.

Destaco uma cena impressionante do personagem Barry fugindo e tapeando agentes da fiscalização aérea americana, pousando com seu jato em plena rua movimentada, e saindo encardido de cocaína e subornando crianças, imagem que ninguém esperaria ver do então mocinho Tom Cruise.


Sarah Wright faz a esposa de Barry, e passa bastante credibilidade como a mulher que se preocupa com a estabilidade da família, mostrando-se como um verdadeiro obstáculo que tende a ser enfrentado por Barry, que apesar das falcatruas, não quer ver sua família destruída. O agente da CIA Schafer interpretado por Domhnall Gleeson, faz um contraponto direto com o personagem de Barry, sem portanto ser um personagem clichê, passando sutileza e realismo de um agente secreto, atuando dentro de um escritório qualquer.

No geral, o filme entretêm, com uma direção dinâmica de Doug Liman, retratando o caso com elementos de suspense, drama e comédia, e um roteiro bem escrito, cheio de reviravoltas, vemos as atitudes inconsequentes de Barry com aquela sensação de que uma hora ou outra a casa irá abaixo, mas o personagem cai nas graças do espectador, devido a seu carisma e comportamento bonachão. 

As lambanças tanto da CIA quanto do governo americano e as tentativas de prisão de Barry são retratadas de maneira cômica, e mostram-se como crítica ao modos operandi destas instituições. Destaque para a  emblemática fala de um dos personagens que sugere que nada é ilegal se é para o bem do país.


Feito na América se torna uma boa pedida para quem quer ver uma atuação diferente do astro Hollywoodiano, além de quem quiser se informar sobre o que desenrolou em um dos escândalos do governo Reagan, a Operação Irã-Contras, referente a tentativa do governo americano de acabar com o regime comunista da Nicarágua. Boa pedida para o fim de semana! 



Título Original: Made in America

Direção: Doug Liman

Elenco:
 Tom Cruise, Domhnall Gleeson, Jesse Plemons, Sarah Wright

Sinopse:
 Feito na América (American Made) é uma história de aventura baseada nas façanhas reais do traficante e piloto Barry Seal, que por anos trabalhou para Pablo Escobar. O filme mescla suspense, aventura e ação para apresentar a história do piloto, que recrutado pela CIA, participou da execução de uma das maiores operações secretas dos EUA.

Trailer:




Galeria de Imagens:




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